Migrações, mobilidade social e identidade cultural: factos e hipóteses sobre o caso português
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.198165.02Palavras-chave:
trabalhadores emigrantes, identidade cultural, comportamento migratório, mobilidade socialResumo
O autor desenvolve neste artigo algumas hipóteses acerca de vários aspectos do problema da identidade cultural dos trabalhadores emigrantes em função do processo de mobilidade social subjacente aos movimentos migratórios, em Portugal. O trabalho centra-se sobretudo na situação decorrente da emigração portuguesa para a Europa nos últimos vinte anos. Depois de apresentar algumas características do comportamento migratório em Portugal, o autor faz algumas considerações acerca da ambiguidade que, na sua opinião, caracteriza as relações do trabalhador emigrante português quer com a sua terra de origem quer com a sociedade em que está inserido, vendo nela circunstâncias propícias à eclosão de uma provável crise de identidade cultural. E nesta óptica o autor propõe algumas hipóteses acerca de fontes de possíveis dificuldades, quer de origem estrutural, quer de origem conjuntural, nas relações dos emigrantes com a sociedade e a cultura de origem. Quanto à relação do imigrante português na Europa com as sociedades que o acolhem, é focada a ambiguidade que reside no facto de, por um lado, ele procurar recriar, de várias formas, o contexto sócio-cultural de origem - o que reforça os laços que ligam o imigrante à sua terra de origem -, e, por outro lado, reunir desse modo, condições que tornem mais aceitável a estadia nos países onde se fixa - o que favorece um prolongamento indefinido da sua estadia nas sociedades onde vive, com todas as suas consequências, designadamente para a 2ª geração. Finalmente, o artigo sublinha a relação entre o comportamento dos emigrantes e o processo de mobilidade social ascendente que, segundo o autor, lhe está subjacente, referindo-se às perspectivas de retorno e reintegração dos emigrantes portugueses, e apresentando a opinião de que os efeitos da emigração e do comportamento dos emigrantes se inserem no quadro de uma determinada estrutura social e da respectiva cultura, sendo mais integrados nelas do que determinantes da sua transformação ao nível estrutural, se bem que o emigrante se veja situado num lugar de confronto de modelos sociais diversos e em mudança.
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