Os arsenalistas da Marinha na Revolução de Setembro (1836)
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.198165.03Palavras-chave:
Revolução de 9 de Setembro de 1836, movimentação popular, população operáriaResumo
A movimentação popular do setembrismo não nos legou testemunhos directos. Por ela falam a imprensa da época e alguma historiografia. De entre os protagonistas da Revolução de 9 de Setembro de 1836 destacou-se o Batalhão dos Artífices do Arsenal Real da Marinha. E pareceu à autora que a população operária da maior manufactura de Lisboa constituía uma amostra significativa susceptível de fornecer indicações acerca da composição social do povo lisboeta que naquela data desceu à rua secundando as Guardas Nacionais para impor a abolição da Carta de 1526 e restaurar a Constituição de 1822. De facto, a documentação disponível permitiu entrever - como se verá pelo presente artigo - um mundo pré-industrial de operários-artesãos empregados do Estado, cujo destino pessoal e profissional se encontrava estreitamente associado às vicissitudes da política em geral e do governo em particular. 2500 trabalhadores que nem por a guerra civil ter acabado deixaram de receber a féria com semanas de atraso, vítimas, para mais, das especulações usurárias dos que lhes adiantavam o dinheiro para a subsistência diária, e para quem os responsáveis pelo atraso do país se confundiam com os agiotas que lhes envenenavam a existência; um mundo permeável, pela própria experiência do seu quotidiano, à propaganda setembrista, vendo no privilégio e na desigualdade política a fonte de todos os males, julgando a miséria extirpável pela acção regeneradora de homens impolutos e clarividentes, sonhando com uma sociedade em que uns não fossem demasiado ricos para que ninguém fosse demasiado pobre.
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