Uma aristocracia operária: os chapeleiros (1870-1914)

Autores

  • Maria Filomena Mónica

DOI:

https://doi.org/10.31447/AS00032573.197960.04

Palavras-chave:

aristrocracias operárias, chapeleiros oitocentistas, Portugal

Resumo

O tema das atitudes das velhas aristocracias operárias em relação ao progresso tecnológico, muito estudado no estrangeiro, não deu origem, até hoje, a nenhuma investigação semelhante em Portugal. Este artigo procura contribuir para o debate desse tema, através da análise de um caso - os chapeleiros oitocentistas e a sua reacção à proletarização e à máquina. Herdeiros de um passado próspero, os chapeleiros ter-se-iam que defrontar, a partir de meados do século XIX, com o declínio do ofício e com a destruição do saber profissional que lhes havia granjeado a posição particular de que gozavam. Posição que perderiam, não sem resistência e luta, com a mecanização. Ao retirar-lhes saber, a máquina retirava-lhes poder. Uma análise pormenorizada das origens e reivindicações das greves destes «artesãos-assalariados» permitiu ver até que ponto a questão do poder no local da produção era central. Paralelamente às reivindicações salariais, muitas das greves iniciais foram suscitadas pelos novos regulamentos fabris, por inovações tecnológicas, pelas tentativas patronais para controlar o acesso à profissão ou por alterações a formas de pagamento tradicionais. Por outro lado, a sobrevivência da economia nacional em face da crescente invasão do mercado por produtos estrangeiros esbatia os contornos do antagonismo interno, uma vez que qualquer melhoria parecia depender da prosperidade da indústria. Mas, a partir de 1892, a desilusão com a forma como os benefícios da pauta foram aproveitados pelos patrões, juntamente com a crescente mecanização, tenderia cada vez mais a opor operários e industriais. Ao longo do artigo são, assim, assinaladas não só a organização e lutas dos chapeleiros como também a sua reacção ao debate proteccionismo-livre-cambismo e as respectivas atitudes em relação à máquina.

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Publicado

1979-12-28

Como Citar

Mónica, M. F. (1979). Uma aristocracia operária: os chapeleiros (1870-1914). Análise Social, 15(60), 859–945. https://doi.org/10.31447/AS00032573.197960.04

Edição

Secção

Artigos