Os camponeses e a política no Portugal de Salazar – o Estado Corporativo e o «apoliticismo» nas aldeias
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.197959.01Palavras-chave:
Estado Novo, participação política camponesa, estrutura política do regime, eliminação da participaçãoResumo
Nas eleições realizadas no primeiro aniversário da revolução de Abril mais de 93% da população acorreu às umas, numa demonstração maciça de participação política. Nos primeiros e escassos anos após o 25 de Abril assistiu-se a uma proliferação de partidos políticos, a um alto nível de participação eleitoral e a inúmeras outras actividades políticas: greves, ocupações de terras, assembleias de trabalhadores e moradores, comissões de moradores, etc. Esta ampla participação contrasta nitidamente com o meio século de aparente apatia política e submissão que caracterizou a vida política portuguesa sob o domínio do Estado Novo. Neste artigo procura-se, precisamente, examinar o modo como o Estado Novo controlou a participação camponesa, graças à eliminação efectiva de todas as possibilidades de participação ao nível local na arena política. A autora sustenta o ponto de vista de que somente pela compreensão da estrutura de um regime se poderão explicar as formas da participação política camponesa. O material etnográfico analisado baseia-se em trabalho de campo realizado em São Miguel e nos dados referentes a Vila Velha, estes extraídos da monografia Ricos e Pobres no Alentejo, de José Cutileiro. Comparando estas duas freguesias, que têm bases ecológicas, formas de exploração de terras e estruturas sociais muito diferentes, é demonstrado o modo difuso segundo o qual o governo autoritário e corporativo do Portugal pré-revolucionário determinou a não participação dos camponeses na política.
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