O povo em armas: a revolta nacional de 1808-1809
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.197957.01Palavras-chave:
revolução de 1808-1809, PortugalResumo
Quem fez a «heroica», a «gloriosa», a «inesquecível» revolução que libertou Portugal, em 1808-1809, da «garra do tirano» francês? A resposta é simples: o «povo». Como depois disse Acúrsio das Neves, há muito que por toda a parte o povo «estava sempre pronto», e foi da sua «vontade geral» constantemente mais clara, precisa e ameaçadora que «a revolução brotou como por si mesma». Mas o comportamento do «povo» não cessaria de surpreender os poderosos nesses anos confusos e terríveis. De facto, sempre que a iniciativa da revolta partiu das massas camponesas e urbanas, ou que elas desempenharam um papel essencial nos acontecimentos, as muralhas de submissão e deferência que secularmente separavam os «grandes» dos «pequenos» depressa ruíram. Em parte nenhuma, o «povo» agiu com o esperado respeito pelas hierarquias sociais estabelecidas. Para ele, o levantamento nacional contra o ocupante confundiu-se invariavelmente com uma revolução, ou seja: com uma tentativa de liquidação brusca e violenta da ordem política vigente, sofressem os senhores o que sofressem. É por isso inútil tentar estabelecer uma nítida solução de continuidade entre a revolta especificamente «política» (isto é: contra o invasor e os colaboracionistas) e a revolta «social». A transição fez-se por graus e, até ao fim das perturbações, os objectivos «políticos» e os «sociais» apareceram indistintamente associados. De modo que a «revolta nacional de 1808-1809» foi, de facto, a mais ampla revolução social de toda a História portuguesa.
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