Sobre os intelectuais portugueses no século XIX (do Vintismo à Regeneração)
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.197957.03Palavras-chave:
sociedade portuguesa, século XIX, crise do antigo regime, acesso da burguesia ao poder, envolvimento dos intelectuais portuguesesResumo
Na primeira metade do século XIX, a sociedade portuguesa foi atravessada por uma série de acontecimentos marcantes (invasões francesas, dominação inglesa, revolução liberal de 1820, revoltas e contra-revoltas entre 1834 e 1851), ao longo dos quais se desenvolveu uma nova intelligentsia cuja actividade ideológica e política contribuiu significativamente para alargar a crise orgânica do «antigo regime», para cimentar o acesso da burguesia ao poder político e para dar expressão às pretensões das suas diferentes fracções. O recrutamento, formação e possibilidade de actuação desta nova intelligentsia passaram por diversas fases e mudanças, que umas vezes significaram avanços, outras vezes recuos, na contenda com a intelligentsia tradicional. Progressivamente, o discurso desta última foi sendo desalojado por um discurso novo (novo, primeiro, pelo conteúdo, e só mais tarde - a partir da década de 30 - pela forma). Para a sua elaboração e difusão, tornou-se necessário criar novas sedes culturais, distintas das que a intelligentsia tradicional conseguia reter em monopólio. Em certas conjunturas, aquelas novas sedes tiveram de ser clandestinamente organizadas. Simplesmente, o envolvimento dos intelectuais portugueses nos vários confrontos do período em causa, que vai do Vintismo à Regeneração, foi, ao mesmo tempo, definindo, através das diferentes configurações que assumiu, todo um percurso, mais ou menos acidentado: o percurso da sua contribuição enquanto categoria social distinta. É precisamente deste percurso que se procura, neste artigo, traçar as grandes linhas, mediante um faseamento que se presume adequado e que é assinalado pelos próprios subtítulos adoptados na divisão do texto: revolução e contra-revolução; exílio; liberais no poder.
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