Operários portugueses na Revolução: a manifestação dos operários da Lisnave de 12 de Setembro de 1974
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.197856.01Palavras-chave:
Revolução de Abril de 1974, operários da Lisnave, práticas de acção, formas organizativas operáriasResumo
Este artigo faz parte de um estudo mais vasto (que já deu lugar à publicação de outros artigos em Análise Social, ver n.os 51 e 52) acerca do conflito social desencadeado, após a Revolução de 25 de Abril de 1974, na Lisnave, a maior concentração operária na principal «cintura industrial» portuguesa: a de Lisboa. Aquele estudo compreende, além de outros aspectos, uma análise das práticas de acção e das formas organizativas operárias. O presente texto constitui uma parcela dessa análise, referindo-se ao período de Junho a Setembro de 1974 e tendo como objecto central a importante manifestação dos operários da Lisnave de 12 de Setembro de 1974. Sucessivamente, são examinados os seguintes pontos: as relações dentro do colectivo de trabalhadores no desencadear da manifestação (quem tomou a iniciativa? quem decidiu? conflitos no interior do grupo militante; o aparecimento de células partidárias; as divergências entre os operários dos dois estaleiros da Lisnave; acção inovadora dos militantes); grupos e categorias socioprofissionais perante a manifestação; relações com o adversário: da pressão ao acto de força; a manifestação e a sua significação (carácter classista e demonstração da manifestação de rua; significação da manifestação e discurso militante). A concluir, a autora sublinha que, à excepção dos militantes do PCP, para quem a manifestação foi um «erro político», todos os outros a definiram quer como demonstração de força em relação ao Governo e às forças militares, quer como expressão da identidade do grupo operário, quer ainda como algo que permitiu revelar aos trabalhadores a sua própria força. Por outro lado, a manifestação serviu de pretexto aos militantes para denunciar a «prática autoritária e repressiva» do patronato, afirmar a oposição irredutível entre as classes, pôr em causa a natureza de classe do poder político e já não apenas a sua «inércia» ou a sua «política antioperária». Isto é: o discurso militante procurou assinalar e explicitar o que a manifestação já havia de algum modo revelado.
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