A Primeira República Portuguesa e a história
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.197856.05Palavras-chave:
primeira república portuguesa, instabilidade política, violência política, impotência governamentalResumo
A Primeira República Portuguesa (1910-1926) constituiu a primeira tentativa persistente de estabelecer e manter uma democracia parlamentar em Portugal. Apesar das intenções e dos ideais generosos e do entusiasmo inicial, os republicanos revelaram-se, porém, incapazes de criar um sistema estável. A República foi prejudicada pela frequente violência pública, pela instabilidade política, pela falta de continuidade administrativa e pela impotência governamental. Com um total de quarenta e cinco governos, oito eleições gerais e oito presidentes num período de quinze anos e oito meses, a Primeira República Portuguesa foi o regime parlamentar mais instável da Europa ocidental. Na «arena da República», as paixões pessoais e ideolgicas entrechocaram-se, tendo desencadeado forças que prepararam o terreno para a intervenção decisiva dos militares na política e para a instauração, em 1926, da Ditadura. Esta República atribulada foi, afinal, o prólogo do «Estado Novo», uma ditadura duradoura que, no momento do seu colapso em 25 de Abril de 1974, constituía o regime autoritário de mais longa vigência na Europa ocidental. Apesar disso, a Primeira República deixou uma herança importante, embora frustrada e ambígua, de planos, propostas, tímidos começos e realizações pouco duradouras. Sob alguns aspectos, os republicanos podiam estar orgulhosos do seu trabalho e da sua visão. Foram realizadas reformas significativas na instrução primária e no ensino secundário; e fizeram-se esforços importantes no que respeita à política fiscal, às condições laborais e à política de salários.
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