Insucesso escolar e origem social no ensino primário: resultados de um inquérito na zona escolar de Oeiras-Algés
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.197855.05Palavras-chave:
sucesso escolar, insucesso escolar, origem social, profissão do chefe de famíliaResumo
São de ordem diversa os factores que determinam a relação, hoje inegável, entre o sucesso na escola e a origem social. O presente estudo - baseado num inquérito aos alunos das escolas primárias da zona escolar de Oeiras-Algés - constitui apenas um primeiro passo para a desmontagem dos mecanismos selectivos da escola primária em Portugal e para a verificação de uma relação - origem social/insucesso escolar - cuja explicação depende de um vasto campo de pesquisas que, em Portugal, ainda está por desbravar. No inquérito efectuado, as crianças foram agrupadas em três categorias sociais, segundo a profissão do chefe-de-família: categoria A - quadros superiores, profissões liberais; categoria B - comerciantes, empregados bancários e de escritório, funcionários médios; categoria C - trabalhadores manuais: operários fabris e da construção civil, empregados de balcão, contínuos. Quatro hipóteses foram inicialmente enunciadas. Todas obtiveram confirmação no inquérito. São as seguintes: 1.a) a repetência, índice de insucesso escolar, cresce à medida que se desce na escala social, verificando-se uma pronunciada demarcação entre, por um lado, as categorias A e B e, por outro, a categoria C; 2.a) a repetência incide sobretudo na 1.a classe, fenómeno explicável pelo choque inicial sofrido pela criança - e sobretudo pela criança dos meios populares - perante a instituição escolar; 3.a) as crianças das duas categorias superiores iniciam a escolaridade mais cedo que as crianças originárias dos meios populares, fenómeno explicável pelas aspirações, pela valorização da escolaridade e até pela informação das famílias em relação à escola; 4.a) as crianças da categoria A terminam a escolaridade primária mais cedo que as da categoria B e os atrasos das crianças da categoria C revelam mais uma vez o fosso existente entre esta categoria social e as duas restantes. Finalmente, foi possível detectar uma correlação positiva e significativa entre a taxa de repetência da categoria C e a percentagem de crianças desta categoria por escola, o que aponta no sentido de a concentração das crianças da categoria C contribuir para acrescer as dificuldades de aprendizagem e, portanto, para aumentar o peso das repetências nas crianças desta categoria.
Downloads
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Secção
Licença

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.

