A etnologia e a sociologia na análise de colectividades rurais
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.197752.02Palavras-chave:
sociologia, etnologia, estudos monográficos, comunidades ruraisResumo
Três objectivos principais tem este artigo: 1) tentar restituir as principais orientações teóricas da etnologia com reflexos na investigação sobre colectividades rurais; 2) procurar situar as relações entre a sociologia e a etnologia, o que implica uma referência à relação que ambas mantêm com a história; 3) pensar uma estratégia teórico-técnico-metodológica de análise concreta da questão agrário-camponesa apoiada nos objectos da sociologia e da etnologia. Parte-se da afirmação de que não existe diferença fundamental entre a metodologia predominantemente utilizada nos estudos monográficos de sociologia rural e a que caracteriza grande parte das análises etnológicas. De facto, a perspectiva tradicionalmente adoptada pela etnologia na análise das sociedades «primitivas» - a qual, após a superação do evolucionismo, vem privilegiando os conceitos de função e estrutura - tem sido utilizada, sem modificações sensíveis, como suporte predominante das análises concretas (institucionalmente designadas de sociológicas) sobre «comunidades rurais». São, aliás, os próprios etnólogos - de E. Evans-Pritchard a M. J. Herskowitz, passando por R. Redfield e E. Wolf - que têm consagrado esta transposição, quer em declarações de princípio, quer em trabalhos de pesquisa empírica. Uma apreciação da legitimidade desta prática depende em última análise, do modelo que se adoptar para caracterizar as sociedades rurais, questão de que este artigo não se ocupa. Isto não impede, porém, que se tente situar alguns princípios, obstáculos e omissões do que constitui a abordagem etnológica na versão que mais frequentemente tem sido adoptada em estudos locais de sociologia rural.
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