Empresas industriais geridas pelos trabalhadores
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.197751.04Palavras-chave:
pequenas empresas industriais, gestão pelos trabalhadores, desempenhoResumo
Após 25 de Abril de 1974, surgiram em Portugal algumas centenas - são hoje mais de 600 - de pequenas empresas industriais geridas pelos trabalhadores, provenientes na sua maior parte de empresas privadas anteriormente existentes e onde órgãos representativos dos trabalhadores assumiram o poder. Aliás, em mais de uma centena dessas empresas, a gestão pelos trabalhadores faz-se segundo acordos estabelecidos com os antigos empresários, sendo como tal considerada «não-litigiosa». No conjunto, trata-se duma experiência com grande interesse, inclusivamente do ponto de vista sociológico, em especial no caso de empresas já antes existentes e onde a gestão dos trabalhadores se substituiu à dos proprietários ou dos seus gestores. Trata-se de um fenómeno para o qual, em rigor, não é fácil encontrar paralelo noutros países. Pela sua origem, distingue-se, na sua maior parte, da experiência das clássicas cooperativas operárias de produção. O tempo está a submeter esta «inovação» a uma série implacável de testes de viabilidade económica e social. Todavia, dum modo geral, pode dizer-se que as gerências compostas por trabalhadores, quando sucederam a anteriores empresários, vêm desempenhando pelo menos tão bem como estes o seu papel. Por outro lado, não se detectam de modo evidente tendências para o igualitarismo, que poderia a médio prazo repelir das cooperativas de trabalhadores os seus melhores quadros e técnicos. Tudo isto contribui para encarar com certo optimismo o futuro da maioria destas empresas.
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