Fábrica Simões: autogestão ou delegação de poderes? – Estudo de caso duma empresa intervencionada
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.197750.03Palavras-chave:
empresa do sector têxtil, colectivo de trabalhadores, práticas operárias, oposição ao patronatoResumo
O presente artigo tem por objecto uma empresa do sector têxtil, situada na cintura industrial de Lisboa (Fábrica Simões). Constitui uma tentativa de incursão no terreno dos estudos sociológicos. A questão básica enunciada no título - autogestão ou delegação de poderes? - aponta para a análise das relações entre os trabalhadores, os seus representantes e o patronato, no sentido de averiguar se na Fábrica Simões (empresa onde se verificou uma greve prolongada em Maio de 1974 e, meses mais tarde, a intervenção do Estado) se criaram estruturas de repartição dos «poderes» no interior do colectivo de trabalhadores (o que seria característico da autogestão) ou se, pelo contrário, a tomada de decisões se concentrou num grupo restrito (no qual as «bases» delegaram «poderes»). Por outro lado, examina-se se as práticas operárias de oposição ao patronato foram de tipo predominantemente institucional (por exemplo, a negociação) ou, ao contrário, claramente antagonistas (acções directas -anti-patronais). O artigo abre por uma caracterização técnico-económica da empresa e da sua inserção no respectivo sector de actividade; prossegue com o estudo dos conflitos sociais ocorridos na empresa e com a análise de questões fundamentais como a alteração das «relações de poder» e a criação de novas práticas gestionárias; e conclui com um balanço do que permaneceu e do que mudou.
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