A sociedade, o Estado e a educação popular: Inglaterra, Portugal e Japão
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.197648.01Palavras-chave:
educação popular, Inglaterra, Japão, Portugal, factores político-ideológicos, factores socioeconómicosResumo
Analisam-se neste artigo três casos de desenvolvimento diferenciado da educação popular: a Inglaterra (1790-1840), o Japão (1860-1890) e Portugal (1926-1939). À distância de 130 anos, em duas sociedades diferentes -a Inglaterra e Portugal -, certos sectores das classes dominantes tentaram deliberadamente impedir o desenvolvimento da educação popular. Poder-se-á, portanto, concluir que qualquer regime conservador fará o mesmo? O Japão, durante as últimas décadas do século XIX constitui um exemplo do contrário: aí, uma classe dominante, igualmente conservadora, adoptou uma política radicalmente oposta, decidindo proporcionar um certo nível de instrução a toda a gente. Quais são, pois, os factores que explicam o desenvolvimento ou, pelo contrário, a estagnação da educação popular? Eis a questão que constitui o verdadeiro objecto deste artigo. Para lhe responder, procura-se tomar em consideração todos os factores fundamentais que influenciam aquele desenvolvimento, e não apenas os factores socieconómicos. Com efeito, se as necessidades do mercado do trabalho desempenham, sem dúvida, um papel muito importante no advento da escolarização de massa, os factores político-ideológicos não podem ser menosprezados. Um modelo mecanicista que postulasse uma relação directa e imediata entre as necessidades decorrentes de desenvolvimento económico e a escolarização jamais poderia explicar os casos históricos conhecidos, nomeadamente aqueles que são abordados no presente estudo.
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