Sobre o fascismo e o seu advento em Portugal: ensaio de interpretação a pretexto de alguns livros recentes
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.197648.02Palavras-chave:
fascismo português, génese do fascismo, sociedade portuguesaResumo
O investigador de história recente de Portugal tem diante de si um programa de trabalhos que se impõe por si próprio. Esse programa é o estudo da natureza e condições do advento, institucionalização e durabilidade do fascismo português. Não surpreende, pois, que várias obras recentemente publicadas se ocupem, de uma forma mais ou menos directa, do fascismo em Portugal. O aparecimento dessas obras proporciona, por sua vez, o estímulo para procurar avançar na elaboração daquele programa de trabalhos. No presente artigo, a tentativa limita-se ao momento do advento do fascismo, apresentando, não tanto uma síntese, como um feixe, tão articulado quanto possível, de hipóteses que a pesquisa futura confirmará ou infirmará. Essas hipóteses - apoiadas em materiais já consideravelmente elaborados - são sucessivamente expostas ao longo de um texto que se subdivide nos seguintes capítulos: «1. Fascismo, ou outra coisa qualquer?», «2. O fascismo ocupa o 'espaço vazio' deixado pelo movimento operário?», «3. Pequena burguesia e grande capital no fascismo», «4. Agrários e industriais no processo de fascização», «5. O 'compromisso histórico' do fascismo em Portugal», «6. Um modelo de estagnação programada», «7. Fascismo sem partido?», «8. Fascismo sem impacte popular?», «9. Os campos contra a cidade», «10. Levar o corporativismo a sério». Uma densa discussão destes 10 pontos fornece, afinal, a primeira interpretação global da génese do fascismo na sociedade portuguesa, onde os papéis desempenhados pelas diferentes classes sociais são finamente analisados.
Downloads
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Secção
Licença

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.

