Desenvolvimento e transição. Orientações do pensamento económico perante a problemática do desenvolvimento a longo prazo
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.197749.02Palavras-chave:
evolução do pensamento económico, desenvolvimento a longo prazo, paradigma ortodoxo, paradigma marxistaResumo
Neste artigo procura-se uma visão panorâmica das linhas principais da evolução do pensamento económico contemporâneo referente à problemática do desenvolvimento a longo prazo. À partida estabelece-se uma bifurcação essencial entre o paradigma ortodoxo ou burguês e o paradigma marxista: num caso procurou-se a interpretação conforme à lógica do próprio processo capitalista analisado e à sua preservação; no outro procurou-se a crítica radical e a transformação revolucionária desse mesmo processo. O autor mostra primeiramente que o pensamento ortodoxo, quer na sua versão neoclássica, quer na sua expressão neokeynesiana, fornece instrumentos de análise que podem ser úteis para a gestão, não só do capitalismo avançado, mas até de sistemas diferentes e mesmo antagónicos do capitalismo. Em todo o caso, o essencial da passagem histórica do subdesenvolvimento ao desenvolvimento remete necessariamente para o paradigma marxista. Com efeito, a investigação sobre o desenvolvimento tem forçosamente de ser, por um lado, uma investigação sobre as modalidades e consequências da dependência estrutural característica das formações sociais periféricas dos capitalismos avançados e, por outro, uma investigação sobre a dinâmica da estruturação capitalista ainda dominante à escala mundial e sobre as estratégias internas e externas mais adequadas à superação daquela dependência. Para levar a cabo esta tarefa, torna-se indispensável recorrer a uma reinterpretação da metodologia marxista de investigação social e à análise das experiências recentes de superação da dependência estrutural.
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