Capitalismo e pré-capitalismo nos campos em Portugal, no período entre as duas guerras mundiais
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.197646.02Palavras-chave:
economia agrária, Portugal, distribuição da propriedade fundiária, relações de produção capitalistasResumo
No período compreendido entre as duas guerras mundiais, a economia agrária portuguesa era um mosaico de situações diversas, não só do ponto de vista geo-económico, como também no que se refere aos modos de produção, articulados entre si de maneira complexa. Na primeira parte deste artigo, é analisada a distribuição da propriedade fundiária, mostrando-se que é incorrecta a visão dualista de um país partilhado entre um Sul caracterizado pelo predomínio absoluto da grande propriedade e um Norte com o solo totalmente dividido numa enorme quantidade de pequenas e minúsculas propriedades; com efeito, o fenómeno da concentração fundiária também se encontrava em certas regiões do Norte, sendo parcialmente efeito da penetração das relações de produção capitalistas na agricultura. Aliás, as manifestações mais concretas das relações de produção capitalistas na agricultura podem ser apreendidas a dois níveis: o das formas de exploração dos solos e o da composição da força-de-trabalho agrícola. A estes dois pontos é precisamente dedicada a segunda parte do artigo. Na terceira parte, são examinados os modos de produção na agricultura, tratando-se primeiramente das explorações familiares e depois das explorações agrícolas de tipo capitalista. Finalmente, na última parte, estuda-se a articulação dos dois modos de produção, mostrando-se como, tanto no Norte como no Sul do país, as explorações capitalistas se articulavam com as explorações familiares, dominando-as e aproveitando-se da força-de-trabalho nelas contida. A burguesia agrária era unificada, a nível nacional, precisamente pelo seu interesse comum em utilizar, para benefício próprio, a mão-de-obra barata que as pequenas explorações familiares lhe forneciam.
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