Os partidos políticos liberais na «primeira fase do rotativismo parlamentar» (1851-1865)
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.197646.04Palavras-chave:
rotativismo parlamentar, movimento da Regeneração, partidos políticos portuguesesResumo
Em certos países, como a Inglaterra e a Bélgica, o liberalismo político, superestrutura do capitalismo, funcionou, desde a 1ª metade do século XIX, como uma alternância no poder de dois grandes partidos, dos quais um mais conservador e o outro, também burguês, mais democrático. Em Portugal, após o movimento da Regeneração (Abril-Maio de 1851), também se tentou pôr em prática o rotativismo parlamentar. Todavia, o período de 1851-1865 não correspondeu de facto, ao contrário do que frequentemente se supõe, a uma primeira fase desse rotativismo. Com efeito, os partidos políticos portugueses dessa época não eram grandes grupos de opinião com um programa bem definido e amplo substrato popular, nem o podiam ser em virtude da fase ainda incipiente do capitalismo. Tratava-se apenas de grupos de elites burgueso-aristocráticas, com fraca organização, uma caracterização ideológica e programática imprecisa, praticando um «caciquismo» eleitoral sistemático e onde uma parte dos membros, incluindo alguns dos mais influentes, mudava de partido ao sabor das circunstâncias conjunturais. Além disso, o Partido Regenerador e o Partido Histórico, que aparentemente representariam o rotativismo parlamentar, tentaram sucessivas aproximações e mesmo unificações. Tal projecto de «reconciliação» acabou, aliás, por triunfar em 1865, sob uma forma alargada a toda a «família liberal».
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