Desenvolvimento e dependência: nova pesquisa bibliográfica para servir à sociologia histórica do desenvolvimento
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.197646.05Palavras-chave:
dependência tecnológica, teoria da dependência, formações sociais dependentesResumo
Uma anterior pesquisa bibliográfica publicada em Análise Social permitiu chegar à convicção de que o chamado progresso tecnológico constitui, pela sua própria natureza, um factor agravante da «dependência» económica. Aliás, já Lenine revelava perfeita consciência deste ponto, no seu «Imperialismo, estádio supremo do capitalismo». Antes, porém, de se entrar no exame da dependência tecnológica, convém efectuar um estudo da teoria da dependência, tal como esta tem vindo a ser formulada recentemente. Assim se procede no presente artigo que, a concluir esta parte, salienta a importância por um lado de se centrar a análise da «dependência» sobre as próprias formações sociais dependentes e sobre a luta entre as classes que aí tem lugar, e de por outro se recuperar, ao nível da teoria, a noção de articulação dos modos de produção, de modo a captar a forma como a combinatória de classes na luta nos países «periféricos» se articula com o modo de produção capitalista absolutamente dominante nos países «cêntricos». Postas assim as questões da dependência em geral, são depois examinadas as da nova (ou agravada) dependência tecnológica. Neste aspecto, interessa particularmente examinar os mecanismos concretos através dos quais a dominação tecnológica se exerce enquanto relais privilegiado da dominação em geral. Esses mecanismos têm que ver, antes do mais, com a «imperfeição do mercado da tecnologia» e desembocam inevitavelmente num certo «custo da transferência tecnológica». Estudados estes dois pontos, torna-se então possível concluir que o agravamento sucessivo de dependência tecnológica e da dependência em geral mergulham as suas raízes no desenvolvimento espectacular das forças produtivas no «centro» do M.P.C. mundial, o qual tem no seu âmago, por seu turno, a institucionalização das pressões salariais e das políticas de segurança social e económica, isto é: a pressão operária sobre a nova máquina capitalista.
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