Razão e escola: o que é (e não é) ensinável (I)
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.197647.04Palavras-chave:
sociedade moderna, transmissão de conhecimentos, escolarização, organização dos conhecimentosResumo
Este artigo constitui o primeiro de uma série onde serão expostos os resultados duma investigação preliminar que tem por finalidade delimitar um campo de trabalho sobre a transmissão dos conhecimentos na sociedade moderna. Mais em particular, essa investigação tenta uma primeira aproximação à questão: o que é (e não é) ensinável? Com efeito, a experiência moderna da «escolarização» encontra-se ainda em grande parte por estudar no que se refere às condições que a tornaram epistemologicamente possível e historicamente inevitável. Ora, uma tal experiência não va de soi, quer no que respeita à sociologia histórica das instituições, quer no que concerne à história das ciências ou mesmo à economia. A escola moderna é um «artefacto histórico» em relação estreita com uma forma de organização dos conhecimentos que é também «artefactual», se a compararmos ao modo de produção de conhecimentos próprio à ciência greco-medieval. É precisamente sobre essa relação que o autor se debruça, formulando sucessivas interrogações: Em que consistiu tal mutação cognitiva? Qual a genealogia da razão moderna? Como se tornou a escola um elemento essencial na produção e reprodução dos conhecimentos? Quais os mecanismos que decidem sobre o que é declarado conhecimento e transmitido pela escola e o que é dele excluído? Como entender a vocação pedagógica da ciência moderna desde os seus começos e, inversamente, a vocação científica do que se chama pedagogia? Como se normalizam, em todos os sentidos da palavra, os conhecimentos? O objectivo último da investigação é o de sugerir que a actual crise da escola se encontra dependente das respostas históricas que estas e outras interrogações encontrarem.
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