Capitalismo e classes sociais nos campos em Portugal

Autores

  • João Ferreira de Almeida Gabinete de Investigações Sociais
  • Manuel Villaverde Cabral Gabinete de Investigações Sociais https://orcid.org/0000-0003-4679-5569
  • Eduardo de Freitas Gabinete de Investigações Sociais

DOI:

https://doi.org/10.31447/AS00032573.197645.02

Palavras-chave:

relações de produção na agricultura, estrutura agrária portuguesa, modo de produção capitalista

Resumo

No passado recente, que formas encontrou o modo de produção capitalista para exercer, na formação social portuguesa, a dominação sobre as relações de produção na agricultura? Quais têm sido as linhas de força essenciais da penetração do capitalismo nos campos em Portugal? Tradicionalmente, tem-se afirmado a inevitável ligação da dominação capitalista ao desenvolvimento das relações especificamente capitalistas na agricultura. Na verdade, porém, coexistem na agricultura por forma durável dois sectores distintos: um sector de submissão real do trabalho ao capital e um sector de submissão formal do trabalho ao capital. Diferenciados pela forma das relações de produção, pela estrutura dos processos de trabalho e pelos modos de apropriação do excedente, esses dois sectores constituem a complexa estrutura agrária portuguesa, entendida como a materialização de um sistema geral de relações sociais que são simultaneamente relações de força. Parece legítimo considerar que tal sistema envolve, no caso português, as seguintes classes e fracções de classes: os proprietários fundiários absentistas e os empresários capitalistas, que, em conjunto, constituem a burguesia agrária - grande e média; o campesinato, em que há que distinguir uma camada superior, a pequena burguesia agrária, e uma camada inferior, o campesinato pobre; o semiproletariado, que combina o trabalho regular em explorações agrícolas (próprias ou arrendadas) com a venda de força de trabalho, seja a outras explorações agrícolas, seja à indústria transformadora ou à construção civil; e, por fim, o proletariado rural, constituído pelos assalariados agrícolas fixos ou eventuais.

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Publicado

1976-03-31

Como Citar

Ferreira de Almeida, J., Villaverde Cabral, M., & de Freitas, E. (1976). Capitalismo e classes sociais nos campos em Portugal. Análise Social, 12(45), 41–63. https://doi.org/10.31447/AS00032573.197645.02

Edição

Secção

Artigos