Capitalismo e classes sociais nos campos em Portugal
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.197645.02Palavras-chave:
relações de produção na agricultura, estrutura agrária portuguesa, modo de produção capitalistaResumo
No passado recente, que formas encontrou o modo de produção capitalista para exercer, na formação social portuguesa, a dominação sobre as relações de produção na agricultura? Quais têm sido as linhas de força essenciais da penetração do capitalismo nos campos em Portugal? Tradicionalmente, tem-se afirmado a inevitável ligação da dominação capitalista ao desenvolvimento das relações especificamente capitalistas na agricultura. Na verdade, porém, coexistem na agricultura por forma durável dois sectores distintos: um sector de submissão real do trabalho ao capital e um sector de submissão formal do trabalho ao capital. Diferenciados pela forma das relações de produção, pela estrutura dos processos de trabalho e pelos modos de apropriação do excedente, esses dois sectores constituem a complexa estrutura agrária portuguesa, entendida como a materialização de um sistema geral de relações sociais que são simultaneamente relações de força. Parece legítimo considerar que tal sistema envolve, no caso português, as seguintes classes e fracções de classes: os proprietários fundiários absentistas e os empresários capitalistas, que, em conjunto, constituem a burguesia agrária - grande e média; o campesinato, em que há que distinguir uma camada superior, a pequena burguesia agrária, e uma camada inferior, o campesinato pobre; o semiproletariado, que combina o trabalho regular em explorações agrícolas (próprias ou arrendadas) com a venda de força de trabalho, seja a outras explorações agrícolas, seja à indústria transformadora ou à construção civil; e, por fim, o proletariado rural, constituído pelos assalariados agrícolas fixos ou eventuais.
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