Gestão económica e poder operário na Hungria
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.197645.03Palavras-chave:
gestão económica, Hungria, situação social dos trabalhadores, classes trabalhadorasResumo
Na Hungria, com a estatização da economia e a consolidação dum novo poder no final dos anos 40, os órgãos de «controlo operário», surgidos imediatamente após a guerra, viriam a ser considerados «historicamente ultrapassados» e eliminados, embora durante a sua efémera existência se tivessem limitado, essencialmente, a executar as directivas da direcção do Partido Comunista. Partindo duma interpretação desses factos, o autor descreve a formação e evolução do sistema húngaro de gestão económica, do após-guerra até aos nossos dias, detendo-se no exame das contradições desse sistema e acompanhando o evoluir da situação social dos trabalhadores nos locais de trabalho. São postas em relevo as circunstâncias que levaram à reforma do «mecanismo económico» em 1968 e às que determinaram, posteriormente, uma travagem dos processos por ela lançados. Depois de algumas considerações sobre os conflitos sociais nos locais de trabalho e as diferentes imagens ideológicas que deles se produziram e produzem na Hungria, o autor procura demarcar, no terreno dos poderes e interesses económicos, a posição ocupada pelas classes trabalhadoras, descrevendo nomeadamente o funcionamento das «formas democráticas» nas empresas (sindicato, «assembleia de produção»). Os comportamentos «negativos» dos trabalhadores são expostos em conexão com as características do sistema de gestão económica e o baixo grau de institucionalização dos conflitos de interesses. O autor tece, finalmente, alguns comentários sobre os problemas da actual campanha de democratização e sua ideologia.
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