Educação e capitalismo: uma certa economia política da educação recorrente
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.197541.05Palavras-chave:
economias capitalistas, ensino formal, educação recorrente, necessidades da economiaResumo
Nos começos da década de 60, os governos dos principais países capitalistas viam na expansão rápida do ensino formal o factor básico do crescimento económico e da estabilidade social. Tratava-se de utilizar o ensino para «ajustar» a mão-de-obra às «necessidades da economia», isto é, às novas características das empresas e do processo de acumulação capitalista. Como tal «ajustamento» implicava maior mobilidade geográfica, profissional e social da população, pressupõe-se que se caminharia para uma «igualdade de oportunidades» e uma nova sociedade «meritocrática». O ensino formal falhou, porém, no papel que se lhe quis então atribuir, embora não tenha deixado de exercer impacte económico e social. Daí que, desde há alguns anos, tenha começado a impor-se a ideia, não só de que a «educação permanente» é a única adequada à sociedade moderna, mas também de que importa estruturá-la, em moldes inteiramente novos, como «educação recorrente». Caracterizada por sucessivas alternâncias de períodos de ensino e períodos de trabalho, desde o fim da escolaridade obrigatória até ao fim da vida do indivíduo, a «educação recorrente» irá seguramente desenvolver-se. Contudo, parece muito provável que a lógica e as características do capitalismo forcem a imprimir-lhe uma orientação mais voltada para a realização do ideal do «homem culto» ou, na melhor das hipóteses, para uma «educação cívica» para adultos - falhando de novo o objectivo do perfeito «ajustamento» às chamadas «necessidades da economia».
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