O princípio de Bartleby-Pilatos. A vontade e a responsabilidade no governo da vida na rua
DOI:
https://doi.org/10.31447/202236Palavras-chave:
biopolítica, exceção, governamentalidade, responsabilidade, vida na ruaResumo
Este texto discute a forma como diversos atores que têm de governar outrem se desresponsabilizam pelas consequências negativas das suas ações. Compreender isto implica procurar a montante da desresponsabilização o seu princípio explicativo. Este encontra-se numa característica das práticas governamentais à qual os estudos sociais têm dado pouca atenção: o facto de que muitos dos atores referidos prefeririam não empreender o esforço necessário ao ato de governo. Tomando como caso paradigmático a vida na rua, esta questão é explorada recorrendo ao que chamo o princípio de Bartleby-Pilatos. Tal como o escrivão, também os atores com funções governamentais na vida na rua “preferia[m] não o fazer”. Contudo, ao contrário de Bartleby, os primeiros têm de agir, levando a que procurem desresponsabilizar-se pelas consequências negativas daquilo que fazem sobre as vidas que governam, lavando simbolicamente as suas mãos tal como Pilatos.