Automedicação abusiva com anestésicos opióides e não opióides entre profissionais de anestesia: Uma revisão integrativa abrangente associada à análise IRAMuTeQ

Uma Revisão Integrativa Abrangente Associada à Análise IRAMuTeQ

Autores

  • Everton Ribeiro Universidade Federal da Bahia https://orcid.org/0000-0001-9531-419X
  • Wilkslam A. Araújo Universidade Federal da Bahia (UFBA), Bahia, Brasil
  • André S. Santos Universidade Federal da Bahia (UFBA), Bahia, Brasil
  • Kelle O. Silva Universidade Federal da Bahia (UFBA), Bahia, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.25751/rspa.40038

Palavras-chave:

Competência Clínica, Distúrbios Relacionados ao Uso de Opioides, Distúrbios Relacionados ao Uso de Substâncias, Inabilitação Profissional

Resumo

Introdução: O abuso de substâncias entre anestesiologistas é um grave problema de saúde ocupacional, com impacto na segurança do doente e na qualidade dos cuidados prestados.
Este estudo tem como objetivo identificar a prevalência, os determinantes e os impactos da automedicação abusiva com anestésicos opioides e não opioides entre anestesiologistas, bem como propor estratégias de prevenção e monitorização adequadas.
Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa realizada entre fevereiro e novembro de 2024, com pesquisa bibliográfica nas bases de dados PubMed, Scopus, Cochrane Library, Embase, LILACS, Web of Science e BVS. A triagem dos artigos foi conduzida no Rayyan e a análise lexical e temática realizada no IRAMuTeQ. A qualidade dos estudos foi avaliada através dos instrumentos JBI, NOS, SANRA, CASP e GRADE, aplicados de acordo com a tipologia de cada estudo. Foram incluídos 20 estudos, categorizados segundo padrões de abuso, fatores ocupacionais e impactos profissionais.
Resultados: A prevalência média do consumo abusivo de opioides e não-opioides entre os profissionais foi de 42,03 ± 22,03. Os opioides predominantes foram fentanil e sufentanil, seguidos por propofol e benzodiazepinas. Os principais fatores associados incluíram excesso de carga horária, stress crónico e exposição ocupacional, enquanto as consequências abrangeram overdose, deterioração da saúde mental e aumento do risco de erros médicos. Estratégias preventivas, como triagem toxicológica e programas de reabilitação, demonstraram eficácia variável, limitada por barreiras institucionais, estigma profissional e deficiências regulamentares.
Conclusão: Os achados revelam uma elevada variabilidade na prevalência do abuso de substâncias entre anestesiologistas e a influência de fatores ocupacionais, psicológicos e institucionais. As consequências afetam a saúde do profissional e a segurança do doente. Reforça-se a necessidade de políticas institucionais que promovam ambientes seguros, reduzam o estigma e fortaleçam ações preventivas.

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Publicado

2025-07-02

Como Citar

Ribeiro, E., Araújo, W. A. ., Santos, A. S., & Silva, K. O. (2025). Automedicação abusiva com anestésicos opióides e não opióides entre profissionais de anestesia: Uma revisão integrativa abrangente associada à análise IRAMuTeQ: Uma Revisão Integrativa Abrangente Associada à Análise IRAMuTeQ. Revista Da Sociedade Portuguesa De Anestesiologia, 34(2), 45–53. https://doi.org/10.25751/rspa.40038