Automedicação abusiva com anestésicos opióides e não opióides entre profissionais de anestesia: Uma revisão integrativa abrangente associada à análise IRAMuTeQ
Uma Revisão Integrativa Abrangente Associada à Análise IRAMuTeQ
DOI:
https://doi.org/10.25751/rspa.40038Palavras-chave:
Competência Clínica, Distúrbios Relacionados ao Uso de Opioides, Distúrbios Relacionados ao Uso de Substâncias, Inabilitação ProfissionalResumo
Introdução: O abuso de substâncias entre anestesiologistas é um grave problema de saúde ocupacional, com impacto na segurança do doente e na qualidade dos cuidados prestados.
Este estudo tem como objetivo identificar a prevalência, os determinantes e os impactos da automedicação abusiva com anestésicos opioides e não opioides entre anestesiologistas, bem como propor estratégias de prevenção e monitorização adequadas.
Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa realizada entre fevereiro e novembro de 2024, com pesquisa bibliográfica nas bases de dados PubMed, Scopus, Cochrane Library, Embase, LILACS, Web of Science e BVS. A triagem dos artigos foi conduzida no Rayyan e a análise lexical e temática realizada no IRAMuTeQ. A qualidade dos estudos foi avaliada através dos instrumentos JBI, NOS, SANRA, CASP e GRADE, aplicados de acordo com a tipologia de cada estudo. Foram incluídos 20 estudos, categorizados segundo padrões de abuso, fatores ocupacionais e impactos profissionais.
Resultados: A prevalência média do consumo abusivo de opioides e não-opioides entre os profissionais foi de 42,03 ± 22,03. Os opioides predominantes foram fentanil e sufentanil, seguidos por propofol e benzodiazepinas. Os principais fatores associados incluíram excesso de carga horária, stress crónico e exposição ocupacional, enquanto as consequências abrangeram overdose, deterioração da saúde mental e aumento do risco de erros médicos. Estratégias preventivas, como triagem toxicológica e programas de reabilitação, demonstraram eficácia variável, limitada por barreiras institucionais, estigma profissional e deficiências regulamentares.
Conclusão: Os achados revelam uma elevada variabilidade na prevalência do abuso de substâncias entre anestesiologistas e a influência de fatores ocupacionais, psicológicos e institucionais. As consequências afetam a saúde do profissional e a segurança do doente. Reforça-se a necessidade de políticas institucionais que promovam ambientes seguros, reduzam o estigma e fortaleçam ações preventivas.
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