Estetização da violência e construção do lugar-espetáculo no documentário "Em busca de um lugar comum"
Resumo
Este trabalho tem por objetivo identificar, analisar e desconstruir o discurso social da violência urbana das favelas do Rio de Janeiro/Brasil presentes na construção do discurso fílmico sobre o imaginário do lugar-espetáculo no documentário Em Busca de Um Lugar Comum (Felippe Schultz Mussel, 2012). Analisa-se a potencialidade simbólica das categorias de “favela”, “comunidade”, “estrangeiro”, “nativo”, “arte primitiva”, “os caras”, e da problemática da violência na manutenção do imaginário construído a partir da percepção do lugar das favelas cariocas. Visto isso, o debate aqui realizado evidencia as significações atribuídas a espaços considerados periféricos e o imaginário construído do lugar-espetáculo. Para efeito de discussão, os autores de referência são Holanda (1995) – o homem cordial –, De Certeau (1998) – a invenção do cotidiano –, Relph (2012) – a construção e a essência do lugar –, Amâncio (2000) – o olhar estrangeiro –, Bauman (2009) – o medo na cidade – e Lipovetsky (2015) – a estetização da violência. Em suma, espera-se delinear a tipologia lugar-espetáculo a partir de uma obra cinematográfica que dá margem a leituras diversificadas no cenário brasileiro contemporâneo.
Referências
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