O desenho da paisagem noturna do Rio de Janeiro
inter-relações e dissensos entre valores socioculturais e ambientais (1850-2000)
Mots-clés :
imaginário, história urbana, cultura urbana, paisagem urbanaRésumé
Este artigo se dedica à paisagem noturna e suas dimensões socioculturais e ambientais, através de suas transformações ao longo do tempo. Ao denominar a noite, enquanto paisagem, enfatizamos a ideia de processo e lhe atribuímos valores culturais e ambientais, que estão em constante transformação. A questão principal deste estudo é como as relações entre natureza, noite e cidade se consolidaram e se repercutiram no desenho da paisagem, relegando a dimensão ambiental da noite a um segundo plano. O objetivo do artigo é investigar o imaginário social e os processos que moldaram nossas relações com a paisagem urbana e noturna. Visamos contribuir com o reconhecimento dos processos naturais noturnos como parte da paisagem e que sua dimensão ambiental tem sido omitida do planejamento urbano. A partir de uma porção do Rio de Janeiro, entre a Serra da Carioca e o mar, nos debruçamos sobre pesquisa bibliográfica, documental, entrevistas e cartografia. Com a triangulação desses métodos e a cartografia como síntese de dados, mostramos que a iluminação é intrínseca ao desenho urbano, por outro lado, seus valores estéticos, funcionais e políticos se sobrepuseram sistematicamente aos valores ambientais da noite. Realçamos a importância desses processos ecológicos serem considerados na agenda urbana, pois são fundamentais para a discussão contemporânea da biodiversidade urbana.
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