Entre rios e ruas: Um relato de experiência sobre paisagens hidrossociais de Cuiabá-MT, Brasil
Palavras-chave:
ensino paisagismo, paisagem hidrossocial, unidades de paisagem, vulnerabilidades socioambientais, governança das águasResumo
O acelerado processo de urbanização no Brasil, via de regra, caracterizou-se por dissonâncias entre o desenvolvimento urbano e a preservação socioambiental. Nesse contexto, as políticas desenvolvimentistas induziram diversas mudanças nos territórios e suas dinâmicas, como o caso da Região Centro-Oeste e a Amazônica, sobretudo a partir da segunda metade do século XX. Em Cuiabá, Mato Grosso, a modernização, a partir do paradigma de urbanização rodoviarista, associada aos interesses político-econômicos, produziram paisagens, muitas vezes, marcadas pela descaracterização ambiental e desconsideração das relações socionaturais preexistentes. Com o objetivo de aprofundar o debate sobre a paisagem e os tensionamentos entre urbanização e o meio ambiente, este artigo apresenta um relato de experiência de sala de aula realizada no curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Mato Grosso. A atividade teve como objeto de análise e intervenção dois córregos de Cuiabá, sendo desenvolvida leitura histórica-documental da morfologia urbana, bem como a caracterização das unidades de paisagem ao longo dos corpos d’água, com visita de campo e entrevistas com a população. Os diagnósticos demonstraram que as percepções dos moradores são variadas, conforme as experiências individuais, práticas culturais e as condições de insalubridade, poluição, precariedade habitacional e riscos que estão expostos. A partir disso, foram elaboradas propostas de intervenções - projetuais e de planejamento -, levando em consideração a paisagem e suas relações hidrossociais. Os resultados evidenciaram o potencial dessa metodologia, que pode subsidiar a tomada de decisão na gestão urbana, ampliando o diálogo entre teoria e prática na abordagem das questões socioambientais.
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