Autoconceito e comportamento alimentar perturbado numa população clínica de adolescentes com perturbação do comportamento alimentar
DOI:
https://doi.org/10.25753/BirthGrowthMJ.v27.i2.13170Palavras-chave:
Adolescentes, anorexia nervosa, autoconceito, bulimia nervosaResumo
Introdução: Alterações no autoconceito têm sido consideradas como tendo um papel crucial na etiologia das perturbações do comportamento alimentar (PCA). Neste estudo, avaliámos os níveis de autoconceito e severidade do comportamento alimentar perturbado numa população clínica de adolescentes com perturbações do comportamento alimentar e estudamos suas correlações.
Métodos: Uma amostra (n = 50) de pacientes dum Serviço de Psiquiatria da Adolescência preencheu duas escalas de auto- relato validadas: a Piers-Harris Children´s Self-concept Scale (PHCSCS) e o Eating Disorder Examination – Questionnaire (EDE-Q). Os dados antropométricos também foram recolhidos.
Resultados:O autoconceito total teve uma correlação negativa com a gravidade da doença [EDE-Q total (rs= -0,48)], bem como com as quatro subescalas da EDE-Q [Restrição (rs= -0,30); Preocupação com o Peso (rs= -0,44); Preocupação com a forma (rs= -0,56); e Preocupação com a Comida (rs= -0,40)]. Quatro das subescalas PHCSCS mostraram correlação negativa com a gravidade da doença [Aspeto Comportamental (rs= -0,39); Ansiedade (rs= -0,56); Popularidade (rs= -0,43) e Satisfação e Felicidade (SF) (rs= -0,39)]. Em seguida, a amostra foi dividida em dois grupos: Compulsivo / Purgativo [5 Bulimia Nervosa (BN) + 3 Perturbação da Alimentação e da Ingestão Não Especificada (PAINE) com critérios insuficientes para BN] e Restritivo (38 Anorexia Nervosa + 4 PAINE com critérios insuficientes para AN). O grupo Compulsivo / Purgativo apresentou menor Autoconceito do que o grupo Restritivo (p <0,05). Este primeiro grupo apresentou também valores mais baixos do que o grupo Restritivo em todas as subescalas do PHCSCS, mas com significância estatística somente no Estatuto Intelectual e SF. Também apresentou maior gravidade da doença (p <0,05), com valores mais altos nas quatro subescalas do EDE-Q, mas com significância estatística somente em Preocupação com o Peso (p <0,05).
Conclusões: Estes resultados estão de acordo com a literatura de que o autoconceito está alterado na PCA. No nosso estudo, relatamos uma relação inversa entre o autoconceito e os comportamentos alimentares disfuncionais. O grupo Compulsivo/ Purgativo relatou um autoconceito inferior e uma maior gravidade da patologia do comportamento alimentar, mas não houve diferenças clínicas entre os dois grupos. Esse achado pode ser explicado pela menor consciência mórbida do grupo Restritivo.
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