Corpos Estranhos Intraoculares: Caraterísticas Clínicas e Fatores de Prognóstico para Resultados Visuais

Autores

  • André Ferreira Service of Ophthalmology, Centro Hospitalar Universitário de Santo António, Porto, Portugal; Unit of Anatomy, Department of Biomedicine, Faculty of Medicine of University of Porto, Porto, Portugal https://orcid.org/0000-0001-8577-5128
  • Bruno Barbosa Ribeiro Service of Ophthalmology, Centro Hospitalar Universitário de Santo António, Porto, Portugal https://orcid.org/0000-0002-8079-9101
  • João Coelho Service of Ophthalmology, Centro Hospitalar Universitário de Santo António, Porto, Portugal https://orcid.org/0000-0003-2261-5682
  • Angelina Meireles Service of Ophthalmology, Centro Hospitalar Universitário de Santo António, Porto, Portugal; Department of Ophthalmology, Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, University of Porto, Porto, Portugal https://orcid.org/0000-0001-9148-2786

DOI:

https://doi.org/10.48560/rspo.28266

Palavras-chave:

Corpos Estranhos no Olho, Ferimentos Oculares Penetrantes, Resultado do Tratamento, Vitrectomia

Resumo

Introdução: O nosso objectivo foi avaliar a apresentação clínica de pacientes com corpo estranho intraocular (CEIO) e estabelecer fatores prognósticos para resultados visuais.
Métodos: Os processos clínicos de todos os pacientes submetidos a cirurgia pela presença de corpo estranho intraocular no Centro Hospitalar Universitário Porto na última década revistos retrospetivamente.
Resultados: Este estudo incluiu 108 olhos de 107 pacientes. A maioria dos pacientes eram adultos (88,9%) em idade ativa (88,9% tinham 18-64 anos). As lesões de retina foram documentadas em 40,7% dos olhos e 17 (15,7%) olhos apresentaram-se com descolamento de retina. Sete (6,5%) olhos tinham endoftalmite à presentação. A maioria (78,7%) dos CEIOs eram metálicos e entraram no globo pela córnea (68,5%). A mediana (intervalo interquartil) do tempo para o primeiro procedimento foi de 1 (0-2) dias, com a maioria dos CEIOs (72,2%) recuperados naquele momento. A vitrectomia via pars plana foi realizada em 74 olhos. Neste estudo, boa acuidade visual (AV) à admissão, ausência de lesão lenticular, hifema e descolamento de retina e presença de hemorragia vítrea foram associados a boa AV final.
Conclusão: Os traumas oculares abertos com CEIOs são um problema de saúde pública que impõe despesas sociais e económicas evitáveis, pois afetam principalmente indivíduos em idade ativa. Assim, a intervenção precoce e as medidas preventivas são de extrema importância para prevenir a incapacidades sociais e visuais.

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Publicado

2023-09-28

Como Citar

Ferreira, A., Barbosa Ribeiro, B., Coelho, J., & Meireles, A. . (2023). Corpos Estranhos Intraoculares: Caraterísticas Clínicas e Fatores de Prognóstico para Resultados Visuais. Revista Sociedade Portuguesa De Oftalmologia, 47(3), 182–191. https://doi.org/10.48560/rspo.28266

Edição

Secção

Artigos Originais