Fenotipagem Genética Forense: Entre a Evidência Científica e os Limites Jurídicos da Prova

Autores

  • Sílvia de Carvalho Homem Investigadora do JusGov – Centro de Investigação em Justiça e Governação. Doutoranda em Ciências Jurídicas Públicas na Escola de Direito da Universidade do Minho, Portugal. Doutoranda em Ciências Jurídico-Criminais na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupII.46632

Palavras-chave:

Fenotipagem genética forense; Inferência estatística; Justiça algorítmica

Resumo

A fenotipagem genética forense (Forensic DNA Phenotyping – FDP) representa uma das inovações mais disruptivas da genética aplicada à investigação criminal, permitindo inferir características físicas e biogeográficas de um indivíduo a partir de vestígios biológicos recolhidos em cenas de crime ou no corpo da vítima. Esta técnica, baseada em modelos probabilísticos e em marcadores codificantes, amplia o potencial da identificação genética tradicional, mas suscita novos desafios quanto à fiabilidade científica, à admissibilidade processual e à proteção dos direitos fundamentais.

Em Portugal, a ausência de regulamentação específica para a FDP contrasta com o modelo holandês, onde a utilização é permitida sob rigorosos critérios de proporcionalidade e controlo judicial. Esta disparidade normativa evidencia a necessidade de uma reflexão sobre a integração de métodos estatísticos complexos no processo penal português e sobre a fronteira entre ciência e prova jurídica.

A presente comunicação propõe analisar a validade epistémica e jurídica da FDP, com base na articulação entre os critérios de admissibilidade científica (Frye e Daubert) e os princípios de legalidade, proporcionalidade e presunção de inocência. O objetivo é discutir em que medida a inferência estatística pode contribuir para a busca da verdade material sem comprometer as garantias de defesa, questionando os riscos de uma “justiça algorítmica” fundada em predições genéticas.

Ao explorar as implicações éticas e jurídicas do retrato biomolecular no contexto probatório, pretende-se contribuir para o debate sobre os limites da inovação forense e para a construção de um quadro normativo que assegure o equilíbrio entre eficiência investigativa e salvaguarda dos direitos humanos.

Publicado

2026-05-06

Como Citar

Homem, S. de C. (2026). Fenotipagem Genética Forense: Entre a Evidência Científica e os Limites Jurídicos da Prova. RevSALUS - Revista Científica Internacional Da Rede Académica Das Ciências Da Saúde Da Lusofonia – RACS, 8(SupII). https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupII.46632