Para Além da Imagem: O Impacto do Suporte Emocional na Experiência do Doente em Medicina Nuclear
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47609Palavras-chave:
Experiência do paciente, Estratégias não farmacológicas, Ansiedade, Suporte emocional, Imagem MédicaResumo
Introdução: A Medicina Nuclear desempenha um papel fundamental no diagnóstico e monitorização de múltiplas patologias. Contudo, os procedimentos de Medicina Nuclear convencional e de PET/CT podem induzir níveis significativos de ansiedade, medo e desconforto nos doentes, independentemente da faixa etária. Para além do impacto na experiência do doente, estas respostas emocionais podem comprometer a cooperação durante os procedimentos, originar artefactos de movimento e afetar a qualidade diagnóstica das imagens.
Objetivos: Sintetizar a evidência científica sobre intervenções não farmacológicas destinadas a melhorar a experiência do doente em Medicina Nuclear, avaliando o seu impacto na ansiedade, conforto e cooperação.
Métodos: Realizou-se uma revisão sistemática da literatura de acordo com as diretrizes PRISMA. A pesquisa foi conduzida nas bases de dados PubMed, Scopus e Web of Science, abrangendo o período entre 2005 e 2025. A qualidade metodológica dos estudos selecionados foi avaliada através das ferramentas de análise do Joanna Briggs Institute (JBI). A síntese da evidência recorreu à análise temática indutiva de Braun e Clarke.
Resultados: Foram incluídos 18 estudos, envolvendo 2357 doentes, dos quais 294 em idade pediátrica. A análise temática permitiu identificar quatro categorias principais de intervenções não farmacológicas: (1) modulação ambiental e sensorial, (2) comunicação profissional-doente, (3) suporte informativo e (4) conforto emocional. Intervenções como iluminação ajustável, música e recursos audiovisuais reduziram significativamente a ansiedade e o desconforto. Estratégias de comunicação, incluindo o método teach-back e a utilização de intercomunicadores, demonstraram melhorias na cooperação e reduções de ansiedade até 75%. O suporte informativo revelou benefícios consistentes em pediatria, mas resultados mais variáveis em adultos. Intervenções focadas no conforto emocional, como mindfulness e Palhaços Médicos, reduziram o distress emocional e permitiram que 96,2% das crianças realizassem os exames sem necessidade de sedação.
Conclusões: As intervenções não farmacológicas constituem soluções de baixo custo, elevada adaptabilidade e fácil implementação, capazes de reduzir o impacto emocional dos exames e melhorar a experiência do doente. A evidência sugere que o suporte emocional influência positivamente a cooperação, a qualidade diagnóstica e a eficiência operacional. A sua integração na prática clínica representa uma oportunidade para conciliar excelência tecnológica e humanização dos cuidados em Medicina Nuclear.
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