Impacto da radioterapia nas alterações cutâneas em mulheres com cancro da mama: revisão sistemática
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47614Palavras-chave:
Cancro da mama; Radioterapia; Reações cutâneas; Radiodermite; Sintomas Reportados pelo PacienteResumo
Introdução: O tratamento de radioterapia para neoplasia da mama é frequentemente associado a reações cutâneas vivenciadas negativamente pelas doentes. A avaliação destas alterações recorre habitualmente a escalas clínicas, como Common Terminology Criteria for Adverse Events (CTCAE) e Radiation Therapy Oncology Group (RTOG), mas os resultados reportados pelas próprias doentes fornecem uma visão mais abrangente do impacto sintomático e funcional das dermatites radioinduzidas.
Objetivos: Identificar as alterações cutâneas mais frequentes associadas à radioterapia mamária, descrever a sua gravidade e caracterizar os principais fatores intrínsecos e extrínsecos que influenciam a sua expressão e a intensidade.
Métodos: Foi realizada uma revisão sistemática segundo as diretrizes PRISMA. A pesquisa, conduzida nas bases PubMed, Scopus e Web of Science, incluiu publicações de 2018 a 2025 envolvendo mulheres com cancro da mama submetidas a radioterapia externa que reportassem alterações cutâneas durante e/ou após o tratamento. Foram incluídos estudos com avaliação clínica (CROs) e/ou autorrelatada (PROs). A qualidade metodológica foi avaliada através da escala de Newcastle–Ottawa.
Resultados: Treze estudos, envolvendo 1343 doentes, cumpriram os critérios de inclusão. A principal alteração identificada foi a dermatite, englobando eritema, descamação seca e húmida, hiperpigmentação, edema, prurido, dor e, em casos mais graves, ulceração. A maioria das reações foi classificada como grau 1–2 nas escalas CTCAE e RTOG, indicando toxicidade clínica ligeira a moderada. Foram identificados três fatores intrínsecos relevantes (índice de massa corporal elevado, mamas volumosas e fototipo cutâneo) e dois fatores extrínsecos (esquema de fracionamento e uso de produtos tópicos) associados à variabilidade das reações. IMC elevado e volume mamário aumentaram o risco de radiodermite mais severa, enquanto esquemas hipofracionados associaram-se a menor incidência de toxicidade de grau ≥2.
Conclusões: A dermatite radioinduzida é a toxicidade cutânea mais frequente na radioterapia mamária, com impacto relevante na qualidade de vida apesar da severidade habitualmente baixa a moderada. É essencial iniciar precocemente estratégias de cuidados cutâneos e monitorizar sistematicamente a toxicidade, combinando avaliações clínicas e PROs. Persistem lacunas relativamente ao papel do fototipo, à formulação ideal de emolientes e às sequelas tardias, justificando ensaios multicêntricos com seguimento prolongado e instrumentos de avaliação mais sensíveis e centrados na doente.
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