Para Além da Sedação:
Estratégias para Reduzir a Ansiedade e Promover a Cooperação em Radioterapia Pediátrica
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47613Palavras-chave:
Radioterapia Pediátrica, Ansiedade, Intervenções Não Farmacológicas, Sedação, CooperaçãoResumo
Introdução: A radioterapia é uma modalidade terapêutica central no tratamento oncológico pediátrico. Contudo, a necessidade de permanecer imóvel, o uso de dispositivos de imobilização, a separação dos cuidadores e a repetição diária dos procedimentos podem provocar ansiedade, medo e sofrimento psicológico, comprometendo a cooperação da criança. Estas dificuldades conduzem frequentemente à utilização de sedação ou anestesia geral, associada a riscos clínicos, potenciais efeitos neurocognitivos, maior complexidade assistencial e impacto emocional para a criança e a família.
Objetivos: Sintetizar a evidência sobre intervenções não farmacológicas em radioterapia pediátrica, avaliando o impacto na redução da sedação, bem como na ansiedade, distresse psicológico e cooperação das crianças.
Métodos: Realizou‑se uma revisão sistemática segundo as diretrizes PRISMA, com protocolo registado no Open Science Framework. A pesquisa na PubMed, Web of Science e Scopus (2010‑2025). Foram incluídos estudos realizados em crianças e adolescentes submetidos à radioterapia externa que avaliassem intervenções não farmacológicas dirigidas à redução da ansiedade, à promoção da cooperação ou à diminuição da necessidade de sedação.
Resultados: Identificaram‑se 63 registos, dos quais 16 estudos foram elegíveis. As intervenções abrangeram preparação psicológica, play therapy, treino comportamental, musicoterapia, realidade virtual, distração audiovisual, máscaras termoplásticas personalizadas, apoio parental e programas multimodais. Globalmente, observou‑se redução da ansiedade e melhoria da cooperação durante o tratamento Estratégias de distração audiovisual e programas estruturados de preparação permitiram que 78% a 96,7% das crianças realizassem radioterapia sem anestesia. Foram ainda descritos benefícios na adaptação emocional, sentimento de controlo, coping, qualidade de vida, satisfação familiar e capacidade de imobilização adequada durante o tratamento.
Conclusões: As intervenções não farmacológicas demonstram potencial para reduzir a ansiedade e o distresse psicológicos associados à radioterapia pediátrica, promovendo simultaneamente a cooperação e favorecendo a realização do tratamento sem recurso a sedação ou anestesia. Para além dos benefícios emocionais, esta abordagem poderá reduzir riscos e complexidade assistencial, contribuindo para uma experiência mais positiva da criança e da família. Contudo, a heterogeneidade metodológica dos estudos limita a robustez da evidência disponível, reforçando a necessidade de estudos multicêntricos e controlados que permitam identificar as estratégias mais eficazes em diferentes contextos clínicos.
Publicado
Como Citar
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2026 RevSALUS - Revista Científica Internacional da Rede Académica das Ciências da Saúde da Lusofonia – RACS

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.







