Tratamento cirúrgico de hiperparatiroidismo secundário a doença renal crónica: os primeiros 90 casos operados em Angola
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47657Palavras-chave:
Hiperparatiroidismo secundário; Doença mineral óssea; HemodiáliseResumo
Introdução: A doença renal crónica (DRC) tem aumentado significativamente em Angola à semelhança da realidade mundial associada às doenças crónicas como a hipertensão arterial e a diabetes mellitus. A doença mineral óssea é uma das complicações da DRC que se inicia no estádio 3. O hiperparatiroidismo secundário está presente e leva a alterações ósseas graves. O diagnóstico laboratorial é definido por PTHi 2 a 9 vezes superior ao valor normal. Os principais sintomas são dores e deformidades ósseas, fraqueza muscular, fraturas, calcificações nos tecidos moles, tumor marron e calcifilaxia. O tratamento cirúrgico ocorre após ineficácia do farmacológico.
Objetivos: (1) Caracterizar o perfil clínico dos doentes operados. (2) Identificar as complicações pós-operatórias. (3) Apresentar a eficácia cirúrgica através do valor de PTH pós-cirurgia.
Material e Métodos: Estudo observacional e longitudinal, ocorrido no Hospital Militar Principal/IS, de maio de 2025 a janeiro de 2026. População constituída por 90 pessoas com DRC em programa regular de hemodiálise. A colheita de dados ocorreu ao longo do internamento; garantiu-se confidencialidade da informação.
Resultados: 90 doentes operados pertencentes a 10 centros de hemodiálise de Angola, com idade média de 45,2 anos; maioritariamente do género masculino (54,4%) e em hemodiálise entre 2 e 17 anos. O sintoma comum de hiperparatiroidismo foi dor óssea, 6 apresentavam tumor marron, 5 deformidades na face e 5 não deambulavam.
Evidenciaram-se como complicações pós-operatórias: hematoma (n=9), sangramento (n=6) e infeção na ferida cirúrgica (n=2), tromboembolismo pulmonar (n=1), hipocalcemia sintomática (n=6), entre outras.
O valor de PTH prévio à cirurgia variou entre 834 e superior a 5000 pg/mL. Na primeira avaliação entre as 16 e as 21horas de pós-operatório variou entre 4,87 e 2856,08 pg/ml. Em todos os doentes obteve-se diminuição do valor de PTH e em 78,8% dos casos, a queda foi de 80%, um ótimo resultado cirúrgico.
Conclusões: Considera-se um sucesso cirúrgico e terapêutico os dados apresentados, houve queda de PTH em todos os doentes, e em 78,8% redução de PTH em mais de 80% do seu valor, valor considerado sucesso cirúrgico. A diminuição da dor óssea foi um outcome transversal a todos os doentes no pós-operatório.
Publicado
Como Citar
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2026 RevSALUS - Revista Científica Internacional da Rede Académica das Ciências da Saúde da Lusofonia – RACS

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.







