Tratamento cirúrgico de hiperparatiroidismo secundário a doença renal crónica: os primeiros 90 casos operados em Angola

Authors

  • Susana Pinto Universidade Católica Portuguesa, Instituto Ciências da Saúde, Porto; Acail Angola, Hemodiálise, Luanda, Angola
  • Vanda Guardado MINSA-Centro de Hemodiálise Sol, Hemodiálise, Luanda, Angola
  • Leonor Balo Hospital Militar Principal/Instituto Superior, Serviço de Cirurgia, Luanda, Angola
  • Paulo Alves Universidade Católica Portuguesa/Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde, Instituto Ciências da Saúde, Porto, Portugal
  • Helena José Escola Superior de Saúde Atlântica, Oeiras; The Health Sciences Research Unit: Nursing (UICISA:E), Nursing School of Coimbra (ESEnfC), Coimbra, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47657

Keywords:

Hiperparatiroidismo secundário; Doença mineral óssea; Hemodiálise

Abstract

Introdução: A doença renal crónica (DRC) tem aumentado significativamente em Angola à semelhança da realidade mundial associada às doenças crónicas como a hipertensão arterial e a diabetes mellitus. A doença mineral óssea é uma das complicações da DRC que se inicia no estádio 3. O hiperparatiroidismo secundário está presente e leva a alterações ósseas graves. O diagnóstico laboratorial é definido por PTHi 2 a 9 vezes superior ao valor normal. Os principais sintomas são dores e deformidades ósseas, fraqueza muscular, fraturas, calcificações nos tecidos moles, tumor marron e calcifilaxia. O tratamento cirúrgico ocorre após ineficácia do farmacológico.

Objetivos: (1) Caracterizar o perfil clínico dos doentes operados. (2) Identificar as complicações pós-operatórias. (3) Apresentar a eficácia cirúrgica através do valor de PTH pós-cirurgia.

Material e Métodos: Estudo observacional e longitudinal, ocorrido no Hospital Militar Principal/IS, de maio de 2025 a janeiro de 2026. População constituída por 90 pessoas com DRC em programa regular de hemodiálise. A colheita de dados ocorreu ao longo do internamento; garantiu-se confidencialidade da informação.

Resultados: 90 doentes operados pertencentes a 10 centros de hemodiálise de Angola, com idade média de 45,2 anos; maioritariamente do género masculino (54,4%) e em hemodiálise entre 2 e 17 anos. O sintoma comum de hiperparatiroidismo foi dor óssea, 6 apresentavam tumor marron, 5 deformidades na face e 5 não deambulavam.

Evidenciaram-se como complicações pós-operatórias: hematoma (n=9), sangramento (n=6) e infeção na ferida cirúrgica (n=2), tromboembolismo pulmonar (n=1), hipocalcemia sintomática (n=6), entre outras.

O valor de PTH prévio à cirurgia variou entre 834 e superior a 5000 pg/mL. Na primeira avaliação entre as 16 e as 21horas de pós-operatório variou entre 4,87 e 2856,08 pg/ml. Em todos os doentes obteve-se diminuição do valor de PTH e em 78,8% dos casos, a queda foi de 80%, um ótimo resultado cirúrgico.

Conclusões: Considera-se um sucesso cirúrgico e terapêutico os dados apresentados, houve queda de PTH em todos os doentes, e em 78,8% redução de PTH em mais de 80% do seu valor, valor considerado sucesso cirúrgico. A diminuição da dor óssea foi um outcome transversal a todos os doentes no pós-operatório.

Published

2026-09-17

How to Cite

Pinto, S., Guardado, V., Balo, L., Alves, P., & José, H. (2026). Tratamento cirúrgico de hiperparatiroidismo secundário a doença renal crónica: os primeiros 90 casos operados em Angola. RevSALUS - International Scientific Journal of the Academic Network of Health Sciences of Lusophone, 8(SupIII). https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47657