Influência da Técnica de Inibição dos Suboccipitais em Pacientes com Cefaleia Tensional: Revisão Sistemática

Autores

  • Natália Campelo Área Técnico-científica, de Osteopatia Escola Superior de Saúde, Instituto Politécnico do Porto, Rua Dr. António Bernardino de Almeida nº 400, 4200-072 Porto, Portugal https://orcid.org/0000-0002-7432-912X
  • Helena Sousa Área Técnico-científica, de Osteopatia Escola Superior de Saúde, Instituto Politécnico do Porto, Rua Dr. António Bernardino de Almeida nº 400, 4200-072 Porto, Portugal
  • Ana Marques Área Técnico-científica, de Osteopatia Escola Superior de Saúde, Instituto Politécnico do Porto, Rua Dr. António Bernardino de Almeida nº 400, 4200-072 Porto, Portugal
  • Ana Almeida Área Técnico-científica, de Osteopatia Escola Superior de Saúde, Instituto Politécnico do Porto, Rua Dr. António Bernardino de Almeida nº 400, 4200-072 Porto, Portugal
  • Inês Coelho Área Técnico-científica, de Osteopatia Escola Superior de Saúde, Instituto Politécnico do Porto, Rua Dr. António Bernardino de Almeida nº 400, 4200-072 Porto, Portugal
  • Luana Pinto Área Técnico-científica, de Osteopatia Escola Superior de Saúde, Instituto Politécnico do Porto, Rua Dr. António Bernardino de Almeida nº 400, 4200-072 Porto, Portugal
  • Mariana Barbosa Área Técnico-científica, de Osteopatia Escola Superior de Saúde, Instituto Politécnico do Porto, Rua Dr. António Bernardino de Almeida nº 400, 4200-072 Porto, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47686

Palavras-chave:

Cefaleia tensional; Suboccipitais; Terapia manual; Osteopatia; Dor cervical

Resumo

Introdução: A cefaleia tensional é considerada a cefaleia primária mais prevalente a nível mundial, apresentando impacto significativo na qualidade de vida, funcionalidade e produtividade dos indivíduos afetados (Stovner et al., 2022). A tensão muscular cervical e alterações miofasciais da região suboccipital encontram-se frequentemente associadas a esta condição. Neste contexto, a terapia manual tem vindo a assumir crescente relevância como abordagem conservadora (Fernández de las Peñas & Cuadrado, 2016).

Objetivos: Avaliar os efeitos da técnica de inibição dos músculos suboccipitais em indivíduos com cefaleia tensional, analisando a sua influência na intensidade da dor, incapacidade cervical e qualidade de vida.

Metodologia: Foi realizada uma revisão sistemática segundo as recomendações PRISMA 2020 (Page et al., 2021). A pesquisa bibliográfica foi realizada entre 1 e 3 de outubro de 2024 nas bases de dados EBSCO, Web of Science, Cochrane Library, PubMed, LILACS, ScienceDirect, B-on e PEDro, através de uma estratégia PICO previamente definida. Foram utilizados os descritores “tension-type headache”, “tension headache”, “TTH” e “suboccipital inhibition”, combinados através dos operadores booleanos AND e OR. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados publicados em português, inglês ou espanhol, que avaliassem os efeitos da técnica de inibição dos suboccipitais em indivíduos com diagnóstico de cefaleia tensional. Foram excluídos estudos duplicados, revisões da literatura, estudos de caso, protocolos de investigação e estudos que não utilizassem a técnica de inibição dos suboccipitais como intervenção principal. A avaliação metodológica foi realizada através da ferramenta RoB 2 da Cochrane, por dois revisores independentes. Nos casos de discordância, foi consultado um terceiro revisor para obtenção de consenso.

Resultados: A pesquisa inicial identificou 3998 estudos. Foram incluídos oito estudos na análise final. Os principais instrumentos de avaliação utilizados foram a Visual Analogue Scale (VAS), o Headache Impact Test (HIT-6), o Headache Disability Inventory (HDI), o Neck Disability Index (NDI) e o SF-12v2. Sete dos oito estudos reportaram redução significativa da intensidade da dor, avaliada sobretudo pela VAS. Foram também observadas melhorias no impacto da cefaleia (HIT-6 e HDI), diminuição da incapacidade cervical (NDI) e melhoria da qualidade de vida (SF-12v2). Apesar dos resultados globalmente favoráveis, verificou-se heterogeneidade metodológica entre os estudos incluídos. Na avaliação do risco de viés, dois estudos apresentaram risco moderado e seis estudos apresentaram risco elevado.

Conclusões: A técnica de inibição dos suboccipitais parece apresentar efeitos positivos em indivíduos com cefaleia tensional. Apesar disso, o nível de evidência disponível permanece limitado devido à heterogeneidade metodológica e ao elevado risco de viés identificado na maioria dos estudos incluídos, exigindo interpretação cautelosa dos resultados e a realização de estudos futuros com maior robustez metodológica.

Publicado

2026-09-17

Como Citar

Campelo, N., Sousa, H., Marques, A., Almeida, A., Coelho, I., Pinto, L., & Barbosa, M. (2026). Influência da Técnica de Inibição dos Suboccipitais em Pacientes com Cefaleia Tensional: Revisão Sistemática. RevSALUS - Revista Científica Internacional Da Rede Académica Das Ciências Da Saúde Da Lusofonia – RACS, 8(SupIII). https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47686