Eficácia da Compressão isquémica do Músculo Psoas em Jovens Adultos com Lombalgia Mecânica Inespecífica: Ensaio Clínico Randomizado
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47687Palavras-chave:
Psoas, lombalgia, trigger points, osteopatia, compressão isquémicaResumo
Introdução: A lombalgia mecânica inespecífica representa uma das condições musculoesqueléticas mais frequentes na população jovem adulta, associando-se frequentemente a alterações funcionais e limitação da mobilidade lombar (Hartvigsen et al., 2018). O músculo psoas desempenha um papel relevante na estabilidade lombopélvica e a presença de trigger points miofasciais poderá contribuir para a persistência da dor lombar (Travell & Simons, 1999). Neste contexto, técnicas de libertação miofascial, como a compressão isquémica, têm vindo a ser utilizadas na prática clínica osteopática.
Objetivos: Avaliar o efeito imediato da compressão isquémica aplicada ao músculo psoas em jovens adultos com lombalgia mecânica inespecífica.
Metodologia: Foi realizado um ensaio clínico randomizado com 30 participantes, divididos aleatoriamente em grupo experimental e grupo placebo, seguindo metodologias semelhantes às utilizadas em estudos prévios de terapia manual aplicados à lombalgia mecânica inespecífica (Licciardone et al., 2005). Foram incluídos indivíduos entre os 18 e os 35 anos com lombalgia mecânica inespecífica e presença de trigger point latente do músculo psoas identificado por palpação. Foram excluídos participantes com patologia estrutural da coluna, cirurgia vertebral prévia, gravidez, obesidade ou sinais de alerta clínico. A randomização foi efetuada por sorteio simples e o estudo decorreu em regime duplo-cego. Todos os participantes apresentavam trigger point latente do músculo psoas associado a lombalgia mecânica inespecífica. O grupo experimental recebeu compressão isquémica aplicada diretamente sobre o trigger point do psoas durante 90 segundos, enquanto o grupo placebo recebeu uma intervenção simulada sem efeito terapêutico esperado. Foram avaliadas, antes e após a intervenção, a intensidade da dor através da Escala Visual Analógica, a flexão lombar por teste dedo-chão e a inclinação lateral do tronco. A análise estatística foi realizada com nível de significância de 5%.
Resultados: Foram incluídos 30 participantes, não se verificando diferenças estatisticamente significativas entre os grupos na avaliação inicial (p > 0,05). Verificou-se redução estatisticamente significativa da intensidade da dor (p = 0,022) e melhoria da flexão lombar (p = 0,004) no grupo experimental após intervenção. Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas relativamente à inclinação lateral do tronco.
Conclusões: A compressão isquémica aplicada ao músculo psoas demonstrou benefícios imediatos na redução da dor lombar e melhoria da flexão lombar em jovens adultos com lombalgia mecânica inespecífica. Contudo, estes resultados refletem apenas efeitos imediatos da intervenção e devem ser interpretados com prudência, não permitindo inferir a sua eficácia a médio ou longo prazo. Estes resultados sugerem potencial relevância clínica da técnica na prática osteopática.
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