Respostas Psicofisiológicas à Caminhada Urbana em Idosos
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47789Palavras-chave:
Ambiente construído; Caminhada; Fadiga; Fisioterapia; Envelhecimento ativoResumo
Introdução: A qualidade do ambiente urbano influencia diretamente a saúde da população idosa, nomeadamente através da caminhabilidade, da carga sensorial e da segurança percebida. O modelo "estímulo-fadiga-emoção" postula que estímulos ambientais negativos, como o ruído e os obstáculos físicos, aumentam a fadiga de marcha, comprometendo o bem-estar emocional e a participação ativa. Apesar da relevância clínica desta relação, poucos estudos analisam simultaneamente as condições ambientais objetivas e percebidas com as respostas fisiológicas e emocionais em contexto real de caminhada.
Objetivos: Analisar de que forma as características do ambiente urbano influenciam a fadiga, a emoção e as respostas psicofisiológicas durante percursos pedonais em adultos mais velhos.
Material e Métodos: Estudo quantitativo, observacional e analítico, inserido no projeto CLEAR PATHS-ENV. A amostra foi constituída por 25 adultos mais velhos residentes na comunidade (61–80 anos; 76% do sexo feminino; IMC médio: 26,75 ± 4,17 kg/m²). Os participantes realizaram um percurso pedonal estandardizado de 2 km. Foram avaliados a mobilidade funcional (TUG), a incapacidade (WHODAS 2.0), a atividade física (IPAQ), a fadiga (MFI-20), a dispneia (D-12), o estado emocional (SAM), o bem-estar psicológico (WHO-5), os sinais vitais e a perceção ambiental. A análise estatística incluiu correlações de Spearman, teste de Wilcoxon e comparações por sexo (U de Mann-Whitney), com nível de significância p < 0,05.
Resultados: A melhor perceção ambiental associou-se a maior rapidez no TUG (ρ = –0,404; p = 0,045). Níveis mais elevados de atividade física correlacionaram-se com menor incapacidade funcional (ρ = –0,438; p = 0,029). Uma pior mobilidade associou-se a maior afetividade negativa (ρ = 0,650; p < 0,001). A fadiga mostrou associação positiva com a ativação emocional (ρ = 0,542; p = 0,005). A mobilidade funcional (TUG) emergiu como preditor significativo da fadiga global (β = 0,532; p = 0,030), explicando 37,7% da sua variância. Foram ainda identificadas diferenças significativas nos níveis de ansiedade entre sexos (U = 21,000; p = 0,017).
Conclusões: O ambiente urbano condiciona diretamente a tolerância à marcha, o esforço percebido e a resposta emocional em idosos. A funcionalidade basal constitui um preditor central da fadiga e do bem-estar durante a caminhada. Estes resultados reforçam o papel da fisioterapia na promoção de percursos urbanos acessíveis, com estratégias como pontos de descanso e mitigação do ruído, essenciais para um envelhecimento ativo e saudável.
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