Efeitos de Palmilhas Posturais com Peças Podais no Alinhamento Pélvico, Ângulo do Tendão Calcâneo e Ângulo Q do Joelho em Corredores Recreativos com Valgo Calcâneo: Ensaio Clínico Aleatorizado e Controlado com Ocultação Simples
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47822Palavras-chave:
Ortóteses plantares; Palmilhas posturais; Valgo calcâneo; Ângulo Q; Alinhamento pélvico; Corredores recreativos; Podoposturologia; Biomecânica dos membros inferioresResumo
Introdução: A pronação excessiva do pé e o valgo calcâneo associam-se a alterações no alinhamento dos membros inferiores, modificações na mecânica da cadeia cinética fechada e aumento da carga musculoesquelética durante a corrida. As palmilhas posturais com peças podais são propostas como forma de influenciar a estimulação plantar e a regulação postural; contudo, a evidência sobre o seu efeito no alinhamento postural global e na biomecânica dos membros inferiores em corredores recreativos permanece limitada.
Objetivos: Analisar os efeitos de três meses de palmilhas posturais termoformadas com peças podais no alinhamento pélvico, da cintura escapular, do tendão calcâneo e do ângulo Q do joelho em corredores recreativos de estrada com valgo calcâneo.
Material e Métodos: Ensaio clínico aleatorizado e controlado com ocultação simples, envolvendo 20 corredores recreativos de estrada, entre 18 e 60 anos, com valgo calcâneo. Os participantes foram alocados a um grupo de controlo (palmilhas termoformadas sem peças podais) ou a um grupo experimental (palmilhas termoformadas com peças podais individualizadas). Ambos os grupos utilizaram sapatilhas neutras estandardizadas durante aproximadamente 70% do tempo calçado diário, ao longo de três meses. As variáveis posturais e biomecânicas foram avaliadas antes e após a intervenção. As comparações entre grupos e intragrupo foram realizadas com os testes de Mann-Whitney e de Wilcoxon, respetivamente (p<0,05).
Resultados: Na avaliação final, verificaram-se diferenças estatisticamente significativas entre grupos para o alinhamento da cintura pélvica (p=0,003), tendão calcâneo esquerdo (p=0,015) e direito (p=0,022), ângulo Q esquerdo (p=0,002) e direito (p=0,007). Não se observaram diferenças significativas para a cintura escapular (p=0,651). No grupo experimental, registaram-se alterações significativas no alinhamento pélvico (p=0,021) e no tendão calcâneo direito (p=0,008).Discussão: Os resultados sugerem que as palmilhas posturais termoformadas com peças podais individualizadas poderão influenciar o alinhamento biomecânico de corredores recreativos com valgo calcâneo, sobretudo nos segmentos diretamente relacionados com a cadeia cinética ascendente. As diferenças observadas no alinhamento do tendão calcâneo, no ângulo Q do joelho e na cintura pélvica podem refletir uma adaptação do retropé e uma consequente reorganização da rotação tibial, do posicionamento do joelho e da orientação pélvica. Estes achados são coerentes com a hipótese de que a estimulação plantar dirigida pode ter efeitos não apenas locais, mas também proximais. A ausência de diferenças significativas na cintura escapular poderá indicar que, no período avaliado, o efeito da intervenção foi predominantemente distal e lombo-pélvico, não se traduzindo em alterações mensuráveis nos segmentos superiores.
Conclusões: Nesta amostra de corredores recreativos com valgo calcâneo, três meses de utilização de palmilhas posturais termoformadas com peças podais individualizadas associaram-se a alterações significativas no alinhamento pélvico, no alinhamento do tendão calcâneo e no ângulo Q do joelho, comparativamente às palmilhas sem peças podais. Estes resultados sugerem que a intervenção poderá contribuir para a modulação do alinhamento dos membros inferiores e da pélvis, devendo, contudo, ser interpretada com prudência devido à reduzida dimensão amostral, às diferenças basais em algumas variáveis e à ausência de seguimento a longo prazo. Estudos futuros com amostras maiores, análise de efeito clínico e avaliação funcional da corrida são necessários.
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