Alterações Climáticas, Saúde e Fisioterapia: Perceções, Conhecimento e Necessidades dos Fisioterapeutas
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47932Palavras-chave:
Alterações climáticas; Fisioterapia; Saúde ambiental; Perceção de impacto; Necessidades formativasResumo
Introdução: As alterações climáticas constituem uma ameaça relevante para a saúde humana e para a prática da fisioterapia, pela sua relação com condições crónicas, funcionalidade, atividade física, reabilitação e sustentabilidade dos cuidados. Contudo, o conhecimento e a preparação dos fisioterapeutas para integrar esta dimensão na prática clínica permanecem pouco estudados.
Objetivos: Caracterizar as perceções, o conhecimento autodeclarado, as atitudes, as barreiras e as necessidades formativas dos fisioterapeutas relativamente aos efeitos das alterações climáticas na saúde e na prática clínica.
Material e Métodos: Estudo observacional transversal, exploratório, com questionário estruturado dirigido a fisioterapeutas em exercício ativo. A amostra foi obtida por conveniência, através de divulgação online, entre julho e outubro de 2024. O questionário foi desenvolvido para este estudo com base na literatura e em recomendações institucionais sobre alterações climáticas, saúde e fisioterapia, contemplando crenças, conhecimento autodeclarado, impactos percebidos, barreiras, papel profissional, necessidades formativas e fontes de informação. O instrumento não dispunha de validação psicométrica prévia. Foram obtidas 52 respostas, das quais 49 foram consideradas válidas. Os dados foram analisados através de estatística descritiva, teste de Wilcoxon pareado, correlações de Spearman, teste de Mann-Whitney U e alfa de Cronbach.
Resultados: A maioria dos participantes acredita que as alterações climáticas estão a ocorrer (95,9%) e atribui-as predominantemente à atividade humana (71,4%). O conhecimento autodeclarado sobre clima e saúde foi sobretudo ligeiro ou moderado (91,8%). A perceção de impactos futuros foi significativamente superior à dos impactos atuais (mediana: 6,0 vs. 5,0; p<0,001; r≈0,75). Verificou-se correlação positiva entre conhecimento autodeclarado e perceção de impactos futuros (ρ=0,48; p<0,001), e maior perceção de impacto em fisioterapeutas das áreas respiratória e/ou neurológica (U=412,5; p=0,032). As principais barreiras foram desinteresse dos utentes (59,2%), falta de conhecimento (53,1%) e falta de tempo (44,9%). A subescala do papel profissional apresentou elevada consistência interna (α=0,87).
Conclusões: Os fisioterapeutas inquiridos demonstram elevada consciência sobre as alterações climáticas, mas lacunas de conhecimento específico. Os resultados, de natureza percetiva e autodeclarada, devem ser interpretados considerando o desenho transversal, a amostragem por conveniência, a dimensão reduzida da amostra e a ausência de validação psicométrica prévia do instrumento.
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