Prevalência da Malária em Gestantes atendidas no Hospital Municipal do Balombo, entre 2023-2024
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47887Palavras-chave:
Malária gestacional; Prevalência; Balombo; AngolaResumo
Introdução: A malária gestacional constitui um problema de saúde pública em regiões endémicas, na África Subsaariana, onde continua a contribuir para a morbimortalidade (WHO, 2024). A infecção por Plasmodium durante a gravidez está associada a complicações como anemia, parto prematuro, restrição do crescimento intrauterino e baixo peso ao nascer, comprometendo os desfechos perinatais (Rogerson et al., 2021). Segundo Van Eijk et al. (2022), gestantes adolescentes e primigestas apresentam maior susceptibilidade à doença devido à menor imunidade adquirida contra o parasita. Apesar da implementação de medidas preventivas, a malária continua a afectar gestantes em áreas de elevada transmissão (Saito et al., 2023).
Objetivos: Estimar a prevalência da malária em gestantes atendidas no Hospital Municipal do Balombo entre 2023 e 2024.
Metodologia: Realizou-se um estudo observacional, transversal e retrospectivo, baseado na análise de 2.743 registos clínicos e laboratoriais de gestantes submetidas a testes de diagnóstico da malária. Foram analisadas variáveis relacionadas ao resultado do teste, idade materna, idade gestacional, recebimento de mosquiteiros impregnados e adesão ao Tratamento Intermitente Preventivo. Os dados foram processados por meio de estatística descritiva.
Resultados: A prevalência geral da malária gestacional foi de 30,4%. Observou-se maior frequência da doença entre adolescentes com menos de 15 anos e menor ocorrência entre mulheres com idade superior a 35 anos. As gestantes com idade gestacional inferior a 12 semanas apresentaram maior vulnerabilidade à infecção. A análise demonstrou que a maioria dos casos positivos ocorreu entre gestantes que não receberam mosquiteiros impregnados ou não aderiram ao TIP, evidenciando a importância dessas medidas preventivas. Entre 2023 e 2024 verificou-se redução da prevalência, de 31,1% para 29,8%, sugerindo um efeito parcial das intervenções implementadas pelos serviços de saúde.
Conclusões: Conclui-se que a malária gestacional permanece um problema relevante no Hospital Municipal do Balombo, afectando principalmente adolescentes e gestantes no primeiro trimestre da gravidez. Os resultados reforçam a necessidade de fortalecer as estratégias preventivas, ampliar a cobertura do TIP e promover o uso adequado de mosquiteiros impregnados, visando reduzir a ocorrência da doença e melhorar os desfechos maternos e neonatais.
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