Perfil Epidemiológico da Infeção por HIV-SIDA em Gestantes atendidas no Hospital Municipal do Bocoio no ano de 2022 e 2023
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47889Palavras-chave:
VIH/SIDA; Gestantes; Prevalência; Bocoio; AngolaResumo
Introdução: A infeção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH/SIDA) em gestantes constitui um importante problema de saúde pública devido ao risco de transmissão vertical e às consequências para a saúde materna e neonatal. Apesar dos avanços no diagnóstico precoce e na terapêutica antirretroviral, a transmissão do VIH da mãe para o filho continua a representar um desafio, sobretudo em países de baixa e média renda (UNAIDS, 2024). O acompanhamento pré-natal adequado, associado à testagem dos parceiros, é fundamental para reduzir a transmissão vertical e melhorar os desfechos materno-infantis (WHO, 2023).
Objetivos: Caracterizar o perfil epidemiológico das gestantes com infeção por VIH/SIDA atendidas no Hospital Municipal do Bocoio entre 2022 e 2023.
Metodologia: Realizou-se um estudo quantitativo, descritivo e retrospetivo, baseado nos registos das consultas integradas do Hospital Municipal do Bocoio. A população foi constituída por 1.670 gestantes atendidas no período estudado. A amostra incluiu 24 gestantes com diagnóstico confirmado de VIH/SIDA. Os dados foram analisados por estatística descritiva, utilizando frequências absolutas e relativas.
Resultados: A prevalência da infeção por VIH/SIDA foi de 0,99% em 2022 e 2,36% em 2023, evidenciando aumento da ocorrência da doença. A faixa etária de 20 a 30 anos concentrou 41,7% dos casos, seguida pelo grupo de 41 a 50 anos, com 33,3%. Relativamente ao estado serológico dos parceiros, 70,8% não realizaram o teste para o VIH, enquanto 20,8% apresentaram resultado positivo e 8,3% negativo. A maioria das gestantes foi diagnosticada entre as 28 e 31 semanas de gestação (62,5%). Nenhuma participante realizou exame de carga viral durante o acompanhamento pré-natal, evidenciando fragilidades na monitorização clínica e laboratorial. Persistiram limitações importantes no acompanhamento dos parceiros.
Conclusões: Conclui-se que a infeção por VIH/SIDA em gestantes apresentou tendência crescente entre 2022 e 2023. A baixa testagem dos parceiros e a ausência de monitorização da carga viral evidenciam limitações no acompanhamento pré-natal. Recomenda-se o fortalecimento das estratégias de rastreio, prevenção da transmissão vertical, adesão à terapêutica antirretroviral e monitorização laboratorial, visando melhorar a assistência materno-infantil e reduzir o impacto da infeção na saúde materna e neonatal em contexto local.
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