Malária Congénita: Incidência e Fatores associados na Maternidade Municipal do Lobito

Autores

  • Leonel Leandro Mendes Instituto Superior Politécnico de Benguela (ISPB), Departamento de Ciências e Tecnologias da Saúde, Benguela, Angola; Direção Municipal da Saúde do Lobito, Benguela, Angola
  • Jurema Alberto Luís Domingos Instituto Superior Politécnico de Benguela (ISPB), Departamento de Ciências e Tecnologias da Saúde, Benguela, Angola
  • Mariele Luís Instituto Superior Politécnico de Benguela (ISPB), Departamento de Ciências e Tecnologias da Saúde, Benguela, Angola
  • Fernando Cassenda Banse Fernando Instituto Superior Politécnico de Benguela (ISPB), Departamento de Ciências e Tecnologias da Saúde, Benguela, Angola

DOI:

https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47888

Palavras-chave:

Malária congénita; Incidência; Recém-nascidos; Lobito; Angola

Resumo

Introdução: A malária congénita constitui um importante problema de saúde pública em regiões endémicas da África Subsaariana, onde continua a contribuir para a morbimortalidade materna e neonatal (WHO, 2024). A transmissão ocorre quando parasitas do género Plasmodium passam da mãe para o feto durante a gestação ou no parto, podendo causar anemia, prematuridade, baixo peso ao nascer e complicações neonatais (Menéndez et al., 2022). Apesar das medidas preventivas implementadas, a doença permanece um desafio para os serviços de saúde materno-infantil (UNICEF, 2023).

Objetivos: Estimar a incidência da malária congénita e identificar os fatores clínicos, obstétricos e sociodemográficos associados à sua ocorrência entre recém-nascidos atendidos na Maternidade Municipal do Lobito.

Metodologia: Realizou-se um estudo observacional, descritivo e transversal na Maternidade Municipal do Lobito. A amostra foi constituída por 248 recém-nascidos e respetivas puérperas. Foram recolhidos dados sociodemográficos, obstétricos e clínicos maternos, bem como resultados laboratoriais. A análise dos dados foi realizada por estatística descritiva, utilizando frequências absolutas e relativas.

Resultados: Dos 248 recém-nascidos avaliados, 31 apresentaram resultado positivo para malária, correspondendo a uma incidência de aproximadamente 14 casos por cada 100 nascidos vivos. A maioria apresentou resultado negativo para a infeção. Observou-se maior frequência da doença entre recém-nascidos com baixo peso ao nascer e do sexo feminino. As puérperas encontravam-se predominantemente na faixa etária reprodutiva jovem, possuíam escolaridade secundária e relataram adesão satisfatória ao uso de mosquiteiros impregnados e à terapêutica preventiva intermitente durante a gravidez. Verificou-se predominância de partos vaginais e baixa frequência de complicações obstétricas. Contudo, identificou-se insuficiência de orientações sobre os riscos da malária durante a gestação, evidenciando limitações nas atividades educativas do pré-natal.

Conclusões: Conclui-se que a malária congénita apresenta incidência relevante na Maternidade Municipal do Lobito e encontra-se associada a fatores maternos, obstétricos e neonatais. Apesar da existência de medidas preventivas, a persistência de novos casos demonstra a necessidade de fortalecer a educação em saúde, melhorar a qualidade da assistência pré-natal e intensificar o rastreio laboratorial neonatal, contribuindo para a redução da transmissão vertical da malária e para a melhoria dos indicadores de saúde neonatal.

Publicado

2026-09-17

Como Citar

Mendes, L. L., Luís Domingos, J. A., Luís, M., & Cassenda Banse Fernando, F. (2026). Malária Congénita: Incidência e Fatores associados na Maternidade Municipal do Lobito. RevSALUS - Revista Científica Internacional Da Rede Académica Das Ciências Da Saúde Da Lusofonia – RACS, 8(SupIII). https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47888