Delirium, Fragilidade e Qualidade de Vida em Pacientes Hospitalizados com Necessidades de Cuidados Paliativos: Um Estudo Transversal

Autores

  • Ivis Martins Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
  • Marilia Campos Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
  • Leonardo Regis Pereira Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
  • Maria Olívia Zanetti Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
  • Hugo Ribeiro Centro de Estudos em Cuidados Paliativos, Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Coimbra, Portugal
  • Fabiana Varallo Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47895

Palavras-chave:

Cuidados paliativos; Delirium; Fragilidade; Qualidade de vida; Mortalidade

Resumo

Introdução: O delirium é uma complicação frequente em pacientes com necessidades de cuidados paliativos, estando associado a pior prognóstico e qualidade de vida. A fragilidade associa-se a piores desfechos nesta população. Apesar disso, a relação entre delirium, fragilidade, qualidade de vida e mortalidade permanece pouco explorada em pacientes hospitalizados com necessidades de cuidados paliativos.

Objetivos: Avaliar a associação entre delirium, fragilidade, qualidade de vida e desfechos clínicos em pacientes hospitalizados com necessidades de cuidados paliativos.

Material e Métodos: Estudo transversal e prospetivo realizado numa unidade de emergência de um hospital universitário brasileiro. Foram incluídos adultos (≥18 anos) identificados com necessidades de cuidados paliativos através do Supportive and Palliative Care Indicators Tool (SPICT) e internados por pelo menos 48 horas. A fragilidade foi avaliada pela Escala Clínica de Fragilidade de Rockwood, o delirium pelo Confusion Assessment Method (CAM), a funcionalidade pela Palliative Performance Scale (PPS), o prognóstico pelo Palliative Prognostic Index (PPI) e o bem-estar e as necessidades paliativas pela Palliative Outcome Scale (POS Proxy). Foram realizadas comparações entre pacientes que evoluíram para óbito e aqueles que tiveram alta hospitalar, bem como análises de correlação entre fragilidade e variáveis clínicas.

Resultados: Foram incluídos 173 pacientes, dos quais 50,3% eram do sexo feminino, com idade mediana de 68 anos (IIQ 57-77). A mortalidade hospitalar foi de 39,9%. Os pacientes que evoluíram para óbito apresentaram menor PPS (p<0,001), maior PPI (p<0,001), pior bem-estar avaliado pela POS Proxy (p=0,028) e maior tempo de internamento (p<0,001). A fragilidade apresentou correlação com PPS (rho=-0,566; p<0,001), PPI (rho=0,537; p<0,001) e POS (rho=0,317; p<0,001). A presença de delirium esteve associada a maior probabilidade de óbito hospitalar (OR=2,14; p=0,019). Na análise multivariada, apenas o PPS permaneceu associado ao óbito.

Conclusões: A fragilidade e o delirium parecem ser indicadores úteis na identificação de pacientes com maior risco de desfechos desfavoráveis durante o internamento. A sua avaliação, em conjunto com instrumentos prognósticos como o PPS e o PPI, pode apoiar a tomada de decisão da equipa multidisciplinar, particularmente no planeamento antecipado de cuidados, no controlo adequado dos sintomas e na promoção do bem-estar dos pacientes com necessidades de cuidados paliativos.

Publicado

2026-09-17

Como Citar

Martins, I., Campos, M., Pereira, L. R., Zanetti, M. O., Ribeiro, H., & Varallo, F. (2026). Delirium, Fragilidade e Qualidade de Vida em Pacientes Hospitalizados com Necessidades de Cuidados Paliativos: Um Estudo Transversal. RevSALUS - Revista Científica Internacional Da Rede Académica Das Ciências Da Saúde Da Lusofonia – RACS, 8(SupIII). https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47895

Dados de financiamento