Delirium, Fragilidade e Qualidade de Vida em Pacientes Hospitalizados com Necessidades de Cuidados Paliativos: Um Estudo Transversal
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47895Palavras-chave:
Cuidados paliativos; Delirium; Fragilidade; Qualidade de vida; MortalidadeResumo
Introdução: O delirium é uma complicação frequente em pacientes com necessidades de cuidados paliativos, estando associado a pior prognóstico e qualidade de vida. A fragilidade associa-se a piores desfechos nesta população. Apesar disso, a relação entre delirium, fragilidade, qualidade de vida e mortalidade permanece pouco explorada em pacientes hospitalizados com necessidades de cuidados paliativos.
Objetivos: Avaliar a associação entre delirium, fragilidade, qualidade de vida e desfechos clínicos em pacientes hospitalizados com necessidades de cuidados paliativos.
Material e Métodos: Estudo transversal e prospetivo realizado numa unidade de emergência de um hospital universitário brasileiro. Foram incluídos adultos (≥18 anos) identificados com necessidades de cuidados paliativos através do Supportive and Palliative Care Indicators Tool (SPICT) e internados por pelo menos 48 horas. A fragilidade foi avaliada pela Escala Clínica de Fragilidade de Rockwood, o delirium pelo Confusion Assessment Method (CAM), a funcionalidade pela Palliative Performance Scale (PPS), o prognóstico pelo Palliative Prognostic Index (PPI) e o bem-estar e as necessidades paliativas pela Palliative Outcome Scale (POS Proxy). Foram realizadas comparações entre pacientes que evoluíram para óbito e aqueles que tiveram alta hospitalar, bem como análises de correlação entre fragilidade e variáveis clínicas.
Resultados: Foram incluídos 173 pacientes, dos quais 50,3% eram do sexo feminino, com idade mediana de 68 anos (IIQ 57-77). A mortalidade hospitalar foi de 39,9%. Os pacientes que evoluíram para óbito apresentaram menor PPS (p<0,001), maior PPI (p<0,001), pior bem-estar avaliado pela POS Proxy (p=0,028) e maior tempo de internamento (p<0,001). A fragilidade apresentou correlação com PPS (rho=-0,566; p<0,001), PPI (rho=0,537; p<0,001) e POS (rho=0,317; p<0,001). A presença de delirium esteve associada a maior probabilidade de óbito hospitalar (OR=2,14; p=0,019). Na análise multivariada, apenas o PPS permaneceu associado ao óbito.
Conclusões: A fragilidade e o delirium parecem ser indicadores úteis na identificação de pacientes com maior risco de desfechos desfavoráveis durante o internamento. A sua avaliação, em conjunto com instrumentos prognósticos como o PPS e o PPI, pode apoiar a tomada de decisão da equipa multidisciplinar, particularmente no planeamento antecipado de cuidados, no controlo adequado dos sintomas e na promoção do bem-estar dos pacientes com necessidades de cuidados paliativos.
Publicado
Como Citar
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2026 RevSALUS - Revista Científica Internacional da Rede Académica das Ciências da Saúde da Lusofonia – RACS

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.
Dados de financiamento
-
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
Números do Financiamento 2023/13308-5;2025/22039-3







