Avaliação do impacto dos cuidados paliativos nos Resultados Clínicos – um estudo em Cabo Verde
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47908Palavras-chave:
Cuidados Paliativos; Valor em Saúde; Qualidade de Vida; Satisfação; QualidadeResumo
Introdução: No atual contexto epidemiológico, os cuidados paliativos emergem como componente essencial dos sistemas de saúde, atendendo ao envelhecimento com pluripatologia, e aumento da complexidade clínica. A avaliação sistemática dos resultados clínicos constitui uma ferramenta essencial para avaliar o impacto dos cuidados paliativos na qualidade de vida dos doentes, na melhoria da performance do sistema de saúde e na obtenção de maior valor acrescentado em saúde.
Objetivos: Avaliar o impacto do acompanhamento por uma equipa de cuidados paliativos, com ênfase na evolução das necessidades paliativas, intensidade do sintoma principal, qualidade de vida, satisfação dos doentes e suas famílias e estado funcional global.
Material e métodos: Estudo de coorte prospetivo com 58 doentes acompanhados pela equipa de cuidados paliativos do Hospital Agostinho Neto durante 6 meses. Recolhidas variáveis sociodemográficas e clínicas, avaliando as necessidades paliativas globais e o seu impacto no bem-estar do doente (através da escala Palliative Outcome Scale (POS)), a intensidade do sintoma principal (através da escala numérica de 0 a 10 em 10), a funcionalidade global e evolução da doença (através da Palliative Performance Scale (PPS)) e a satisfação (através de inquérito institucional habitual), avaliadas na admissão e após 1 e 2 meses.
Resultados: A média de idade dos doentes foi 61,0 anos, sendo 53,4% do sexo feminino. A maioria apresentava cancro (67,2%) e a dor foi o principal sintoma (72,4%). Observou-se redução da pontuação média do POS de 17,9 para 12,8 pontos (diferença de -5,1; n=28), sugerindo melhoria da carga global de problemas. A intensidade média do sintoma principal diminuiu de 6,8 para 3,5 pontos (diferença de -3,3; n=16). A avaliação funcional pelo PPS mostrou ligeira melhoria, de 60,0 para 62,1 pontos, indicando estabilização funcional. Registou-se óbitos em 12,1% dos doentes e 75% não recorreram à urgência.
Conclusões: A análise sugere que a intervenção da equipa de cuidados paliativos está associada à melhoria dos resultados clínicos, com redução da carga global de necessidades, da intensidade dos sintomas, bem como aumento da qualidade de vida. Estes resultados reforçam o impacto positivo dos cuidados paliativos na qualidade da prestação de cuidados, devendo ser integrados precocemente no percurso dos doentes.
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