Influência das redes sociais no comportamento alimentar dos jovens: Revisão sistemática da literatura
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47900Palavras-chave:
Redes sociais; Comportamento alimentar; Jovens; Imagem corporal; AdolescênciaResumo
Introdução: Uso generalizado das redes sociais entre os jovens tem vindo a modificar a forma como estes interagem com conteúdos relacionados com alimentação, corpo e saúde (Mazzeo et al, 2024; Wu et al, 2025). A exposição contínua a imagens idealizadas, padrões corporais irreais e recomendações alimentares frequentemente desprovidas de base científica pode influenciar atitudes e comportamentos alimentares (Karam et al, 2023). Este fenómeno levanta preocupações ao nível da saúde pública, particularmente no que respeita ao desenvolvimento de comportamentos alimentares disfuncionais e à insatisfação corporal.
Objetivos: Rever e sintetizar a evidência científica sobre a influência das redes sociais no comportamento alimentar dos jovens.
Metodologia: Foi realizada uma revisão da literatura de acordo com as orientações PRISMA. A pesquisa foi conduzida nas bases de dados PubMed e Web of Science, utilizando descritores MeSH: “Social Media”, “Body Image”, “Feeding and Eating Disorders”, “Adolescent”, “Young Adult”, “Health Behavior” e “Nutrition”. Foram incluídos estudos publicados nos últimos 10 anos, em língua inglesa e portuguesa, que analisassem a relação entre a utilização de redes sociais e o comportamento alimentar em jovens. A seleção dos estudos foi efetuada por leitura de títulos e resumos, seguida de avaliação em texto integral, com aplicação de critérios de inclusão e exclusão previamente definidos.
Resultados: Foram incluídos 17 artigos na análise final. A maioria dos estudos evidencia uma associação significativa entre o uso intensivo de redes sociais e a adoção de comportamentos alimentares inadequados. Observou-se uma relação consistente com maior insatisfação corporal, internalização de ideais de magreza e muscularidade, e maior prevalência de práticas como restrição alimentar e dietas não supervisionadas. A exposição a influenciadores digitais e conteúdos centrados na aparência corporal mostrou amplificar comparações sociais negativas. Contudo, alguns estudos destacam o potencial das redes sociais como ferramentas de promoção da saúde, quando veiculam informação baseada em evidência científica.
Conclusões: Redes sociais desempenham um papel dual no comportamento alimentar dos jovens, podendo constituir simultaneamente um fator de risco e uma oportunidade de intervenção. Estratégias que promovam literacia mediática e nutricional, como a regulação da qualidade da informação digital, são essenciais para minimizar efeitos adversos e potenciar benefícios para a saúde.
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