Associação entre hábitos alimentares e transtornos de ansiedade: Revisão Sistemática da Literatura
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47902Palavras-chave:
Hábitos alimentares; Nutrição; Dieta Mediterrânica; Transtornos de AnsiedadeResumo
Introdução: Os transtornos de ansiedade constituem um dos principais desafios de saúde pública global, sendo responsáveis por elevada carga de incapacidade. A literatura tem demonstrado crescente interesse no papel dos hábitos alimentares como fatores modificáveis capazes de influenciar a fisiopatologia da ansiedade. Estudos sugerem que a alimentação pode modular processos inflamatórios, oxidativos e neuroendócrinos envolvidos na expressão dos sintomas ansiosos (Aucoin et al, 2021; Lassale et al., 2019).
Objetivos: Analisar a associação entre hábitos alimentares e transtornos de ansiedade.
Metodologia: Realizou‑se uma revisão sistemática da literatura segundo as diretrizes PRISMA, recorrendo às bases PubMed e Web of Science, abrangendo publicações entre 2013 e 2024. Foram incluídos artigos em inglês ou português, disponíveis em texto integral, que relacionassem hábitos alimentares e transtornos de ansiedade em adultos. Excluíram‑se estudos envolvendo outras patologias e artigos de opinião. Dos 733 artigos inicialmente identificados, 10 cumpriram os critérios de inclusão. A avaliação crítica da qualidade metodológica destes estudos foi realizada através de uma versão modificada do instrumento de Crombie (1996) (Steele et al., 2003), verificando‑se que a maioria (6 artigos; 60%) apresentava qualidade moderada.
Resultados: Quatro estudos (40%) demonstraram que maior adesão à dieta mediterrânea está associada a menor probabilidade de transtornos de ansiedade, evidenciando os efeitos protetor desta padrão alimentar, através da redução da inflamação sistémica e da melhoria da função mitocondrial. Outros quatro estudos (40%) verificaram que maior consumo de frutas e vegetais está significativamente associado a menor risco de sintomas ansiosos e depressivos, possivelmente devido ao aporte de antioxidantes, fibras prebióticas e compostos bioativos que modulam o eixo intestino‑cérebro (Lassale et al., 2019). Dois estudos (20%) identificaram ainda que padrões alimentares ricos em ácidos gordos ómega‑3 se associam a menor risco de ansiedade, reforçando o papel dos lípidos estruturais na integridade neuronal e na regulação da neurotransmissão.
Conclusões: Os resultados indicam que padrões alimentares de elevada qualidade estão associados a menor probabilidade de sintomas ansiosos. Assim, a promoção de hábitos alimentares saudáveis surge como uma estratégia promissora e custo‑efetiva para melhorar a saúde mental, justificando a sua integração em políticas públicas e práticas clínicas multidisciplinares.
Publicado
Como Citar
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2026 RevSALUS - Revista Científica Internacional da Rede Académica das Ciências da Saúde da Lusofonia – RACS

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.







