Associação entre hábitos alimentares e transtornos de ansiedade: Revisão Sistemática da Literatura

Autores

  • Eliane Fernandes Instituto Politécnico de Bragança, Escola Superior de Saúde, Bragança, Portugal
  • Hernelsa Santiago Instituto Politécnico de Bragança, Escola Superior de Saúde, Bragança, Portugal
  • Filomena Pereira Instituto Politécnico de Bragança, Escola Superior de Saúde, Bragança, Portugal
  • Ana Maria Pereira Instituto Politécnico de Bragança, Escola Superior de Saúde, Bragança, Portugal; Research Center for Active Living and Wellbeing (LiveWell), Portugal

DOI:

https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47902

Palavras-chave:

Hábitos alimentares; Nutrição; Dieta Mediterrânica; Transtornos de Ansiedade

Resumo

Introdução: Os transtornos de ansiedade constituem um dos principais desafios de saúde pública global, sendo responsáveis por elevada carga de incapacidade. A literatura tem demonstrado crescente interesse no papel dos hábitos alimentares como fatores modificáveis capazes de influenciar a fisiopatologia da ansiedade. Estudos sugerem que a alimentação pode modular processos inflamatórios, oxidativos e neuroendócrinos envolvidos na expressão dos sintomas ansiosos (Aucoin et al, 2021; Lassale et al., 2019).

Objetivos: Analisar a associação entre hábitos alimentares e transtornos de ansiedade.

Metodologia: Realizou‑se uma revisão sistemática da literatura segundo as diretrizes PRISMA, recorrendo às bases PubMed e Web of Science, abrangendo publicações entre 2013 e 2024. Foram incluídos artigos em inglês ou português, disponíveis em texto integral, que relacionassem hábitos alimentares e transtornos de ansiedade em adultos. Excluíram‑se estudos envolvendo outras patologias e artigos de opinião. Dos 733 artigos inicialmente identificados, 10 cumpriram os critérios de inclusão. A avaliação crítica da qualidade metodológica destes estudos foi realizada através de uma versão modificada do instrumento de Crombie (1996) (Steele et al., 2003), verificando‑se que a maioria (6 artigos; 60%) apresentava qualidade moderada.

Resultados: Quatro estudos (40%) demonstraram que maior adesão à dieta mediterrânea está associada a menor probabilidade de transtornos de ansiedade, evidenciando os efeitos protetor desta padrão alimentar, através da redução da inflamação sistémica e da melhoria da função mitocondrial. Outros quatro estudos (40%) verificaram que maior consumo de frutas e vegetais está significativamente associado a menor risco de sintomas ansiosos e depressivos, possivelmente devido ao aporte de antioxidantes, fibras prebióticas e compostos bioativos que modulam o eixo intestino‑cérebro (Lassale et al., 2019). Dois estudos (20%) identificaram ainda que padrões alimentares ricos em ácidos gordos ómega‑3 se associam a menor risco de ansiedade, reforçando o papel dos lípidos estruturais na integridade neuronal e na regulação da neurotransmissão.

Conclusões: Os resultados indicam que padrões alimentares de elevada qualidade estão associados a menor probabilidade de sintomas ansiosos. Assim, a promoção de hábitos alimentares saudáveis surge como uma estratégia promissora e custo‑efetiva para melhorar a saúde mental, justificando a sua integração em políticas públicas e práticas clínicas multidisciplinares.

Publicado

2026-09-17

Como Citar

Fernandes, E., Santiago, H., Pereira, F., & Pereira, A. M. (2026). Associação entre hábitos alimentares e transtornos de ansiedade: Revisão Sistemática da Literatura. RevSALUS - Revista Científica Internacional Da Rede Académica Das Ciências Da Saúde Da Lusofonia – RACS, 8(SupIII). https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47902