Trauma infantil e comportamento alimentar na idade adulta: revisão sistemática da literatura

Autores

  • Filomena Pereira Instituto Politécnico de Bragança, Escola Superior de Saúde, Bragança, Portugal
  • Ana Maria Pereira Instituto Politécnico de Bragança, Escola Superior de Saúde, Bragança, Portugal; Research Center for Active Living and Wellbeing (LiveWell), Portugal

DOI:

https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47903

Palavras-chave:

Trauma infantil; Comportamento alimentar; Compulsão alimentar; Adultos; Abuso infantil

Resumo

Introdução: Trauma na infância constitui um fator de risco relevante para múltiplas consequências em saúde mental e comportamental, incluindo alterações na regulação emocional e no comportamento alimentar. A literatura sugere que experiências adversas precoces (abuso emocional, negligência, outras formas de violência), podem associar-se a compulsão alimentar, comer emocional e maior vulnerabilidade para perturbações do comportamento alimentar na idade adulta (Guillaume et al., 2016; Lagan et al, 2024; Rienecke  et al, 2022)

Objetivos: Sintetizar a evidência científica sobre a relação entre trauma infantil e comportamento alimentar em adultos, identificando os principais mecanismos psicossociais e comportamentais associados.

Metodologia: Foi realizada uma revisão sistemática da literatura de acordo com as orientações PRISMA. A pesquisa bibliográfica foi conduzida nas bases de dados PubMed e Web of Science, utilizando estratégia: ("childhood trauma" OR "adverse childhood experiences") AND ("eating behavior" OR "binge eating" OR "emotional eating" OR "eating disorders") AND (adults) Incluídos estudos publicados nos últimos 10 anos, em língua inglesa/portuguesa, que avaliassem a associação entre trauma infantil e comportamento alimentar na idade adulta. A seleção dos estudos foi realizada por leitura de títulos, resumos e texto integral.

Resultados: Foram incluídos 12 artigos na análise final. Verificou-se uma associação consistente entre trauma infantil e comportamento alimentar disfuncional na idade adulta. Em vários estudos, mais de metade dos participantes com historial de trauma na infância apresentou padrões de compulsão alimentar, comer emocional ou episódios de descontrolo alimentar. O abuso emocional e a negligência foram os tipos de trauma mais frequentemente associados a maior gravidade de sintomas alimentares, insatisfação corporal e dificuldades de autorregulação. Alguns estudos relataram que o trauma precoce esteve ligado a maior risco de desenvolver perturbações alimentares e a pior bem-estar psicológico, com associações estatisticamente significativas entre exposição a experiências adversas na infância e comportamentos alimentares negativos.

Conclusões: O trauma infantil está associado a maior risco de alterações do comportamento alimentar na idade adulta, mediadas por desregulação emocional, coping desadaptativo e alterações na autorregulação. Estes resultados reforçam a importância de abordagens integradas, com intervenção precoce, rastreio de experiências adversas na infância e estratégias multidisciplinares em nutrição e saúde mental.

Publicado

2026-09-17

Como Citar

Pereira, F., & Pereira, A. M. (2026). Trauma infantil e comportamento alimentar na idade adulta: revisão sistemática da literatura. RevSALUS - Revista Científica Internacional Da Rede Académica Das Ciências Da Saúde Da Lusofonia – RACS, 8(SupIII). https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47903