Sociabilidade digital e reconfiguração da participação em rede: a emergência de desequilíbrios fáticos

Autores

  • João Vasco Coelho Iscte — Instituto Universitário de Lisboa, Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-Iscte), Lisboa, Portugal; CEIS20 – Universidade de Coimbra, Coimbra, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.7458/SPP202611246590

Palavras-chave:

sociabilidade digital, faticidade, desequilíbrio fático, proxémica digital, telepresença

Resumo

Este artigo teoriza o desequilíbrio fático como efeito emergente da forma como a participação e a presença social são reorganizadas na sociabilidade digital contemporânea. Argumenta-se que a participação em redes digitais se tornou cada vez mais transacional e posicional, orientada para a sustentação da visibilidade e da disponibilidade, ao invés do intercâmbio de significado. Com base em trabalhos sobre sociabilidade em rede, lassidão do laço social e mediatização profunda, o artigo conceptualiza a faticidade e o trabalho fático como condições a priori da participação digital. A noção proxémica digital é introduzida enquanto produção sociotécnica de presença, distância e posicionamento relacional em ambientes estruturados pela telepresença, virtualidade e affordances crescentemente suportadas por inteligência maquínica de cariz artificial. Os desequilíbrios fáticos surgem quando as exigências infraestruturais de presença fática contínua excedem as capacidades cognitivas e temporais dos sujeitos, produzindo sobrecarga, presença rarefeita e ritmos de interação modulados por máquinas. Ao articular participação, faticidade e proxémica digital, o artigo propõe um dispositivo de diagnóstico relevante para compreender o modo como infraestruturas digitais modelam a atenção, a presença e a ação comunicativa em ambientes modulados por agência artificial e algorítmica.

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Publicado

2026-10-15

Edição

Secção

Artigos