A organização religiosa do primeiro Estado da Índia. Notas para uma investigação
DOI:
https://doi.org/10.57759/aham2004.37785Resumo
Este estudo propõe-se discutir um conjunto de questões que são prévias à reconstituição da organização religiosa do Estado da Índia antes de 1521. Para o fazer, parte da correspondência de D. Duarte Nunes, bispo de Dume e primeiro prelado português a arribar no Estado da Índia, a qual oferece um panorama geral sobre o estado religioso local, assinalando, em concreto, a situação do clero secular e regular, dos crentes, das igrejas, a escassez de conversões até então alcançadas. Contudo, alguns dos significados implícitos nestas cartas são inacessíveis ao olhar do historiador actual. A partir dessa inacessibilidade tornou-se possível identificar o conjunto de problemas que constitui o objecto da análise aqui desenvolvida. Saber qual foi, efectivamente, o âmbito jurisdicional do padroado português no espaço asiático antes e depois de 1514, e quem detinha os diversos direitos de padroado tornou-se, pois, a primeira questão a resolver, dependendo dela a resolução dos problemas subsequentes: saber quem fundou e dotou os primeiros templos; quem eram os clérigos que viajaram até à Índia; quem os enviara e com que propósitos; a quem respondiam; qual o seu perfil social e cultural. A meu ver, só depois de se ter respondido a estas questões – ou, pelo menos, na impossibilidade de as resolver, de estar alertados para a sua relevância – é que se pode refazer a organização religiosa do primeiro Estado da Índia.
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Direitos de Autor (c) 2004 Ângela Barreto Xavier

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